Graças à popularidade impulsionada pelos Jogos Olímpicos de Tóquio, muita gente tem se aventurado no universo do skate. Sem prática e equipamentos específicos, porém, os novatos se expõem a riscos de tombos, que podem resultar em lesões graves, traumas e trazer sequelas futuras.
É na fase do aprendizado que acontece grande parte das quedas dos skatistas de primeira viagem. Portanto, é preciso redobrar os cuidados para não se machucar de forma séria, como aponta o ortopedista Gustavo Asmar, do Instituto de Traumatologia e Ortopedia (INTO).
Mas isso não é a regra. Homens e mulheres experientes também convivem com o risco. É o caso do skatista profissional Nilo Peçanha. Aos 33 anos, o atleta, que coleciona conquistas e já foi o quinto melhor do mundo na modalidade bowl, passou por uma série de lesões, incluindo uma que resultou em traumatismo craniano e na perda total do olfato como sequela.
"Poderia ter sido algo muito pior", diz o campeão carioca de bowl de 2009. "Nessas horas, tem que pensar positivo, mas é algo que você leva para o resto da vida e isso pode se refletir no esporte, já que quando você fica mais velho, é mais difícil de se arriscar tanto nas manobras."
Apesar de já ter superado esse e outros traumas, como lesões nos dois pés, braços e dedos fraturados e rompimento do ligamento cruzado posterior de um dos joelhos, Nilo ainda pratica o esporte e não pretende parar de competir, apesar de não ser mais o foco principal da carreira. O atleta chegou a começar a se preparar para tentar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas a pandemia acabou atrapalhando os planos.
E para a nova geração de skatistas, dá o recado: "Sempre que se lesionar, não tente ultrapassar o tempo de recuperação e siga as recomendações médicas".
Segundo Asmar, as lesões mais frequentes na prática do esporte, sobretudo para os iniciantes, são as dos membros superiores, como ombros, cotovelos e punhos, correspondendo a 50% das fraturas mais comuns. O skatista precisa aprender a cair de forma que não se lesione, e isso requer prática.