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O hidrogênio verde e a transição para uma economia de baixo carbono

Paulo Alvarenga
| Tempo de leitura: 3 min

Buscar uma solução para descarbonizar a indústria é uma questão de sobrevivência. Para conter o aquecimento global e, assim, viabilizar o futuro do nosso planeta, é imprescindível reduzir as emissões de CO2 de forma drástica e rápida. O caminho é substituir os combustíveis fósseis por recursos renováveis e, nesse cenário, o hidrogênio entra como peça-chave dessa grande transformação.

Conter o aquecimento do planeta em 1,5°C até o fim do século e reduzir as emissões de gases de efeito estufa pela metade, até 2030, é possível, por meio da adoção de estratégias de desenvolvimento econômico focadas em investimentos em tecnologias verdes e na criação de novas cadeias de produção. Pesquisadores, governos e empresas têm defendido que o hidrogênio verde é praticamente a única alternativa de conversão e armazenamento de energia totalmente sustentável para descarbonizar a economia.

O hidrogênio, um dos elementos mais abundantes no planeta, é uma matéria-prima muito importante para a indústria. Porém, mais de 90% da produção mundial ocorre a partir da reforma do gás natural, de origem fóssil. Há décadas existem tecnologias estabelecidas para se produzir esse insumo de forma sustentável e em larga escala, como é o caso da eletrólise da água. O processo é simples e consiste em usar eletricidade de fontes limpas e renováveis para separar o oxigênio e o hidrogênio da água, obtendo, assim, o hidrogênio verde.

O Brasil é um dos países com maior potencial de geração de energia elétrica renovável do mundo (mais de 80% da matriz é de energias hídrica, eólica, solar e de biomassa), com um dos menores custos marginais de produção. Além disso, a intermitência das fontes solar e eólica pode ser compensada pela fonte hídrica - uma combinação praticamente imbatível no cenário mundial.

O país ainda possui uma base industrial instalada que gera um mercado interno relevante. Considerando só a demanda do mercado interno, o hidrogênio verde pode ser empregado pelo setor de óleo e gás no refino do petróleo para produção da gasolina e do diesel. Outro setor muito importante é o de fertilizantes nitrogenados, o que contribuiria para reduzir os custos de produção do setor agrícola e sua dependência estratégica de um insumo essencial, já que 80% dos fertilizantes no País são importados.

Para que isso ocorra, é necessária uma política governamental que crie um mecanismo para garantir a compra desse hidrogênio verde, similar ao atual modelo de leilões de energia no Brasil, viabilizando os investimentos privados na cadeia produtiva. A Alemanha já deu os primeiros passos e estabeleceu, em 2020, sua Estratégia Nacional do Hidrogênio, pela qual pretende investir €9 bilhões em projetos, não só no território alemão, como também em outros países, garantindo, o suprimento de hidrogênio verde para o mercado local.

Outra referência importante é a Aliança Brasil-Alemanha para o Hidrogênio Verde, plataforma criada por entidades empresariais para intermediar a compra e venda do insumo para a Alemanha, o que reforça a relevância do Brasil como fornecedor internacional.

O Brasil pode gerar hidrogênio verde de forma altamente competitiva e eficaz para consumo doméstico e para exportação. Segundo o governo, o País está avançando no estudo do potencial da regulamentação e dos mercados de hidrogênio, com uma perspectiva realista e que contribua para o desenvolvimento tecnológico e industrial. Resta saber se haverá, de fato, a mobilização necessária para aproveitar essa janela de oportunidade.

O autor é CEO da thyssenkrupp na América do Sul e vice-presidente da Câmara Brasil -Alemanha de São Paulo.

 

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