São Paulo - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou nesta segunda-feira (30) que prorrogou o prazo para que entidades possam subscrever o manifesto "Em favor do entendimento e da harmonia entre os Três Poderes da República". Segundo a Fiesp, o adiamento atende ao interesse de dezenas de entidades que manifestaram apoio à causa.
"Em 24 horas, recebemos mais de 200 adesões, das mais representativas entidades brasileiras. Dezenas de outras entidades também manifestaram interesse em participar. Em função desse cenário, informamos que estendemos o prazo para novas adesões, que poderão ser feitas ao longo da semana", comunicou a Fiesp em nota.
LIRA
O adiamento coincide com a atuação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para atenuar o dano que um documento cobrando parcimônia dos chefes de Poderes, em especial do presidente Jair Bolsonaro, poderia ter neste momento, véspera das manifestações favoráveis ao governo previstas para o próximo dia 7 de setembro.
Neste fim de semana, antes do anúncio de adiamento do documento, Lira conversou por telefone com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Desde a divulgação das intenções da Fiesp, Skaf, que até então era considerado um aliado, passou a ser visto com desconfiança por pessoas do entorno do presidente.
FEBRABAN/ TCU
O manifesto, que foi encampado na Fiesp, teve origem na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e tem por objetivo demonstrar o incômodo de setores produtivo e financeiro com a crise institucional.
O subprocurador-geral do Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, acionou o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, para explicar por que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçaram sair da entidade por causa do manifesto que pede a harmonia entre os três Poderes.
"Ao se confirmar a notícia, haveria risco ao sistema financeiro brasileiro advindo de possível politização dos bancos, privados e públicos", diz Furtado.
O subprocurador cita a visão da Febraban, que fala que um sistema financeiro "saudável, ético e eficiente é condição essencial para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do País".
Na área técnica do tribunal, há a avaliação de que a decisão de Caixa e Banco do Brasil demonstra claramente um movimento das instituições em favor de um posicionamento político do controlador (União), o que pode configurar ingerência.