Moradores do Núcleo Edson Francisco Silva, o Bauru 16, sofrem há um mês com falta de água após a bomba do poço que abastece o bairro queimar. Sem equipamentos reservas para substituir o maquinário com problemas, o DAE realizou uma manobra na rede de água, mas que não garante pressão suficiente para o abastecimento completo da região. Com a situação, a chegada de água nas torneiras tem ocorrido apenas em horários de menor consumo, o que prejudica tarefas básicas da população. O DAE diz que a substituição da bomba e normalização da rede deve ocorrer até o início da próxima semana.
O poço, que produz em média 50 metros cúbicos de água por hora e abastece cerca de 5 mil pessoas registrou o problema no fim de julho.
Desde então, a moradora Natália Barbosa, 29 anos, que mora na quadra 11 da rua Vitório Perin, conta que tem contado com ajuda de parentes para conseguir realizar as tarefas domésticas, em plena pandemia.
"A gente chega do trabalho e, muitas vezes, não tem água lavar louça, tomar banho, para dar banho na criança. É complicado, minha filha tem 1 ano e sete meses e usa fraldas, já tive que levá-la na casa de parentes por falta de água. E aí você liga no DAE e é sempre a mesma coisa que dizem: o poço está em manutenção", reclama a moradora.
PALIATIVO
Presidente do DAE, Marcos Saraiva pede paciência para a população. "Fizemos manobras com outros poços, o CAIC e o Val de Palmas, para que não falte água no Bauru 16, enquanto o abastecimento não é normalizado, mas é um paliativo, infelizmente não tínhamos outra bomba com as mesmas características disponível para substituição", ressalta Saraiva.
A manobra viria garantindo o abastecimento ao bairro apenas em horários em que há menos consumo e mais pressão na rede, como à noite ou na madrugada.
SUBSTITUIÇÃO
Diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Heber Soares Vieira explica que a autarquia trabalha com média de uma bomba reserva para três poços. E que a do poço Bauru 16 queimou justamente quando o maquinário substituto havia sido enviado para fábrica para fins de reparo, ou seja, não havia bomba reserva.
"Isso nunca havia acontecido, assim tudo junto", afirma o diretor. "Corremos esse risco por não termos uma bomba reserva para cada poço, mas é que temos 35 poços na cidade", observa Vieira.
Segundo ele, a empresa responsável pelo reparo da bomba reserva tem um prazo de 25 dias úteis para o reparo após a assinatura do contrato. "A assinatura ocorreu no início de agosto. Então, a finalização do serviço pela Ebara ocorrerá no início de setembro, mas estão tentando antecipar para essa semana", afirma o diretor do DAE, explicando que o reparo da bomba reserva não ocorreu antes disso em razão de procedimentos internos legais que a autarquia teria que seguir para contratação do serviço.
INVESTIMENTO?
Segundo o JC apurou, bombas com as mesmas características que a do Bauru 16 seriam utilizadas também nos poços Cruzeiro do Sul 1, Beija-Flor e Jardim Nicéia. Após a substituição e normalização do poço Bauru 16 será a vez da que queimou ir para o conserto e se tornar a substituta para esses poços.
Segundo o JC apurou, uma bomba nova do tipo custaria até R$ 50 mil, mas o DAE não pensaria em investir nisso neste momento. No ano passado, a autarquia adquiriu quatro novas bombas, mas são dispositivos mais caros e para poços maiores.
O que o DAE estuda é adaptar outras bombas que já possui para trabalhar com maior quantidade de dispositivos reservas, justamente para evitar situações como a no Bauru 16.