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Grande humilde senhora

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 1 min

Sempre que tenho condições, guardo no porta-malas do meu carro uma cesta básica para doar quando a boa espiritualidade indicar e, não se engane, ela indica.

Lá estava eu logo de manhãzinha comprando pão para saborear no café da manhã, lendo meu Jornal da Cidade. Antes mesmo de descer do carro, uma senhora de aparência frágil, trajando roupas um pouco melhores que velhos panos, e idosa, com rosto sulcado mais pelas dificuldades de que pelo tempo, estava sentada na esquina, me fez um sinal de fome, juntando as duas mãos em suplicante pedido mudo.

Comprei meu alimento matinal, e mais alguns para ela. Atravessei a rua com o carro, parei ao lado dela, ajudei-a a levantar e lhe dei alguns pães.

Lembrei então da cesta, e entreguei também. Que momento inesquecível! Com as duas mãos voltadas para o alto, com olhos fechados, proferiu singelo agradecimento, à espiritualidade e depois a mim. Eu que não sou médium, todavia, senti o corpo quente, como se mais nada existisse naquele momento, e senti a presença de algo muito bom, sereno, enquanto ela conversava com o alto.

Raramente senti aquela boa sensação, apesar de tentar ajudar o próximo com alguma frequência, procurando, mesmo que muito de longe, seguir os caminhos do Pai.

Despedimo-nos e saí de lá feliz, fui ao mercado e comprei outra cesta…. Como diz Coelho Neto: 'A verdadeira caridade é impalpável como a luz e invisível como o perfume: dá o calor, dá o aroma, mas não se deixa tocar nem ver'.

O autor é colaborador de Opinião.

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