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Problemas na economia e na política marcarão semestre, opina deputado

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

A expectativa do deputado federal Paulo Teixeira (PT) para o segundo semestre deste ano na Câmara dos Deputados, em Brasília, é de embates políticos e ideológicos, que devem se intensificar especialmente com foco em três eixos: mudanças no Bolsa Família, reforma administrativa e reforma tributária. Em visita ao Jornal da Cidade, o deputado elencou os pontos contra os quais ele considera que a oposição deve se unir e evitar o que julga serem retrocessos e perdas para a população brasileira.

Para os eixos centrais, o deputado pontua como pano de fundo o baixo crescimento da economia, a alta inflação - que eleva os preços dos alimentos da cesta básica - e o alto preço da energia, causado pelos desequilíbrios do clima que reduzem as chuvas, mas também pelos desmatamentos ocorridos na Amazônia, e que seriam estimulados pelo governo federal, em sua opinião.

REFORMA ADMINISTRATIVA

De acordo com Paulo Teixeira, na reforma administrativa, a oposição precisa barrar o fim da estabilidade do servidor público, o que é importante segundo ele , para evitar a perda da memória das políticas públicas brasileiras. "Um exemplo disso foi o SUS na pandemia, que deu resposta grandiosa, até melhor que alguns hospitais privados", afirma.

A estabilidade também é ferramenta contra maus políticos, avalia. "Na acusação de corrupção da compra de vacinas, quem denunciou foi um servidor do Estado e o delegado de polícia que denunciou o (ministro Ricardo) Salles por desmatamento é um servidor".

A briga também será para evitar o que a oposição chama de privatização das creches públicas, com a criação de voucher para creches privadas. "Esta é uma proposta de um setor com pouca vivência do Estado, que é o setor do capital financeiro, representado pelo Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, então a proposta vem cheia de preconceitos".

No caso da reforma tributária, um dos pontos elencados pelo deputado é a desoneração de quem ganha menos e a maior taxação dos considerados super ricos.

BOLSONARO

O desprestígio do presidente Bolsonaro, considerando as perspectivas para a eleição do ano que vem, na avaliação do petista, possui três fatores principais: o entendimento de que o presidente é responsável pelo grande número de mortos na pandemia, devido às estratégias que adotou, e a desproteção social, como exemplo, a suspensão do auxílio emergencial no final de 2020 e a redução do valor neste ano. E o terceiro fator seria a percepção de que há corrupção no governo.

O que ainda mantém parte do prestígio seria, na sua opinião, um suposto orçamento paralelo por onde são distribuídas verbas para manter uma base política de sustentação ao governo; o nível de alinhamento da Procuradoria Geral da União (PGR), cujo procurador Augusto Aras foi reconduzido no dia 24 a mais dois anos de mandato, e "a legião de fanáticos que ele mantém, mesmo com 120 milhões de brasileiros subalimentados e 20 milhões com fome aguda", afirmou.

POLARIZAÇÃO

Para o petista, a anulação de todas as condenações do ex-presidente Lula deram a grande parte da população o sentimento de injustiça que teria sofrido. "Devolveu a memória do que foi o governo dele, voltou a ideia de que o prenderam para impor este estilo de governo que está nos levando ao abismo". Sobre as eleições de 2022, o parlamentar não acredita em uma terceira opção viável para o embate entre Lula e Bolsonaro, e acredita que o petista vence ainda no primeiro turno. "Já vi muito eleitor que afirma que nunca votou no Lula, mas se ele estiver com Bolsonaro, vota em Lula. Isso consolida a candidatura do Lula", conclui.

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