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Cuidados com Covid deixam Bauru sem registros de H1N1 e sarampo

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Em meio à pandemia da Covid-19, a Secretaria Municipal de Saúde não registrou nenhum caso sequer de infecção por H1N1 e sarampo em Bauru neste ano (veja mais no quadro). E, segundo a pasta, foram justamente os cuidados sanitários adotados pela população para se prevenir contra a Covid-19 que resultaram nessa realidade, uma vez que todas essas doenças são transmitidas pelo ar e pelo contato. Assim, o uso de máscara e álcool em gel, o distanciamento social e a higienização das mãos, praticados para se proteger do novo coronavírus, refletiram na redução drástica dessas outras enfermidades.

Dados dos últimos quatro anos fornecidos pela pasta mostram uma brusca queda na quantidade de infecções por H1N1 no município já em 2020, ano em que a pandemia começou. Em 2018, foram 50 casos e 14 óbitos. Em 2019, 15 casos e nove mortes. Já em 2020, foram apenas dois casos e um óbito e, até agosto de 2021, não houve qualquer registro de H1N1 na cidade.

O mesmo se observa em relação ao sarampo. Em 2018, não foram notificados casos na cidade. Porém, em 2019, houve um surto da doença no município, chegando a 82 infecções. Já em 2020, ano em que a pandemia do novo coronavírus começou, foram apenas duas infecções por sarampo e, em 2021, até o mês de agosto, o índice zerou. Felizmente, não houve óbito pela doença nos últimos quatro anos em Bauru.

PREOCUPAM

De acordo com Ezequiel Santos, diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Bauru, a queda nos números está associada principalmente à mudança de comportamento da população que visa se prevenir da Covid-19 com o uso de máscaras e álcool em gel, mantendo o distanciamento social e higienizando as mãos.

"São doenças respiratórias, transmitidas pelo ar e pelo contato, assim como a Covid-19. Então, uma consequência positiva das medidas de contenção do coronavírus foi também conter outras enfermidades, como a H1N1 e o sarampo. Além disso, notamos queda nos casos de outras doenças também respiratórias, como meningite, coqueluche e caxumba", explica Santos.

Mesmo assim, o diretor pondera que tanto o sarampo quanto a H1N1 mantém a Saúde em estado de alerta. "São duas doenças que estão sob controle, mas preocupam principalmente por conta da facilidade de transmissão e possibilidade de ocorrerem surtos. A taxa transmissão do sarampo, por exemplo, é muito alta e a mortalidade dela é maior entre crianças e adolescentes. Uma pessoa infectada pode transmitir para outras 18", explica.

Ainda segundo Santos, entre setembro e outubro, a pasta reforça a atenção em relação à prevenção do sarampo, já que foi o período em que ocorreu um surto da doença na cidade, em 2019. Por outro lado, a H1N1 passa a deixar de oferecer uma preocupação mais alarmante neste momento, por se tratar de uma doença sazonal, com maior disseminação durante o inverno.

FLEXIBILIZAÇÃO

Outro fator considerado é o momento de flexibilização das medidas de contenção da pandemia no Estado e em Bauru. Isso pode levar também à volta da contaminação por essas outras enfermidades. Por isso, o diretor reforça a importância da vacinação da população também contra o sarampo e a H1N1.

"Em Bauru, as duas campanhas estão abaixo da meta, que é de, ao menos, 95% do público-alvo vacinado. Sarampo (tríplice viral) está em 85%, e a da Influenza (H1N1), pouco abaixo de 90%. Porém, é um índice compreensível, porque as pessoas estão priorizando receber a vacina do coronavírus, doença que logo também estará controlada. Mas temos que manter a imunização das outras enfermidades para formar o cinturão vacinal e evitar surtos. E fica a lição de que as medidas de prevenção funcionam", completa Ezequiel Santos.

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