Economia & Negócios

'Influenciador é um produto igual sabão em pó e sabonete'

Lílian Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Gil do Vigor, Cleo Pires, Camilla de Lucas, Luísa Sonza, Luan Santana, Pabllo Vittar - todas essas celebridades da Internet têm algo em comum: a mente comercial por trás de seus perfis nas redes sociais, que atende pelo nome de Fátima Pissarra. Ela é fundadora e diretora da agência Mynd, que traça a estratégia de comunicação de 250 dos maiores influenciadores brasileiros. "Cada influenciador é um produto. Desenhamos esse produto, empacotamos, tornamos cada um deles vendável para as marcas", resume Fátima, paranaense de 44 anos, mãe de três filhos e que começou a carreira trabalhando na antiga operadora BCP, licenciando músicas para "ringtones". Hoje, ela comanda uma agência que deve ter faturamento de R$ 250 milhões neste ano.

Qual a origem da Mynd?

Fátima Pissarra - Foi na BCP, uma operadora de telefonia celular de São Paulo, depois comprada pela Claro. As pessoas, naquela época, queriam ter músicas como toque de celular. Só que, para isso, a operadora tinha de pagar direitos autorais. E eles não queriam gastar dinheiro. Aí eu tive a ideia de fazer as marcas pagarem esse direito autoral em troca de aparecer no celular. Depois fui para Nokia e fazia isso lá. Aí meu chefe saiu da Nokia e foi para a Vevo, plataforma de vídeo de música. Ele me chamou, mas disse que eu tinha de abrir uma empresa. Fazia projetos para marcas envolvendo músicos.

E Preta Gil virou sua sócia?

Fátima Pissarra - Na Music2! (nome original da agência), eu vendia espaço para as marcas no bloco de Carnaval da Preta Gil. Assim a conheci. E foi bem na época em que a Vevo foi absorvida pelo YouTube e eu fiquei sem saber o que fazer. Estava desesperada e ela me disse: "Continua fazendo o que você faz. E expande para celebridades da Internet, não precisa ser só músico". Então eu disse: "Só se você for minha sócia". E ela topou. Foi ela quem indicou os primeiros influenciadores para a agência. A primeira foi a Gleici Damasceno, vencedora do BBB 2018. A Camilla de Lucas entrou para a agência dois anos antes do BBB 21. Tinha 60 mil seguidores. Quando chegou no BBB, eram 2 milhões.

Como não exaurir a imagem do influencer?

Fátima Pissarra - Não acredito que a gente possa exaurir a imagem da pessoa nem que "influencer" tem data de validade. O Gil do Vigor está em todas, é uma estratégia pensada. Ele vai viajar, mas vai continuar bombando. É preciso entender as oportunidades para continuar "on" sem se desgastar.

E que estratégia é essa?

Fátima Pissarra - Cada influenciador é um produto. É muito louco: é como se o Gil fosse um sabão em pó, o Mazzafera um sabonete... E, como produto, a gente precisa descobrir qual é o atributo, a característica para vender. Com quem esse produto fala? Qual é a mensagem? A partir disso, a gente empacota esse produto, que é como ele tem de ser visto nas redes. Por exemplo: o "influencer" tem cachorro? Então faz vídeo no pet shop, faz post com o cachorro. A partir daí, ele passa a ser vendável para marcas de cachorro, tipo Pedigree. E a gente vai analisando se está vendendo bem. Igual xampu. Você põe no mercado e vê se vende. Se não vende, tem de ver por que não está vendendo.

A Mynd também já foi acusada de usar seus agenciados para bombar certos perfis de "influencers" novatos. Isso acontece?

Fátima Pissarra - Não é. Até queria ter esse poder. A internet vive de autenticidade. Não funciona essa coisa de construir pessoas.

Qual o tamanho da Mynd?

Fátima Pissarra - A gente faturava R$ 70 milhões em 2019. Com a pandemia, tudo que é digital decolou. No ano passado, a gente fechou com R$ 150 milhões e vamos terminar 2021 com R$ 250 milhões. Em 2019 a gente tinha 60 funcionários; agora temos 200.

Como a agência descobre novos influenciadores?

Fátima Pissarra - Recebo sugestões a toda hora. No meu Whats, estou em 250 grupos de artistas e influenciadores. E tem a Preta, né? Ela tem mais de 8 milhões de seguidores. Ela descola muita coisa e recebe muita coisa também.

 

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