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Quilinhos a mais? Calma!

Constança Tatsch
| Tempo de leitura: 2 min

Quando a pandemia começou, o dono de restaurante Felipe Frangione, 34 anos, conseguiu transferir suas atividades para o home office. Foram meses sem rotina nem atividades físicas. Agora, com a retomada gradual ao trabalho presencial, descobriu, pelas roupas, os sete quilos que ganhou.

"Foi muito tempo em casa e o uniforme era moletom, bermuda, tudo com elástico. Agora voltei a sair, tirei as roupas do armário e bateu o desespero quando percebi que não me serviam mais", relata. Embora já tenha feito todo tipo de dieta ao longo da vida, Felipe, agora, está fazer o correto para perder peso: é preciso ir devagar, sobretudo nos tempos em que vivemos.

Nunca houve um ganho de peso coletivo tão alto em um período tão pequeno de tempo. Pesquisa conduzida pela Diet & Health Under Covid-19, com 22 mil pessoas entre 16 e 74 anos de 30 países, mostrou que 31% das pessoas ao redor do mundo engordaram 6,1 quilos durante a pandemia. O Brasil fica no topo da lista, com 52% de homens e mulheres que ganharam 6,5 quilos. Privados de prazeres, as comidas serviram de válvula de escape para muitos.

"A gente acabou se permitindo certos prazeres para anestesiar um pouco a ansiedade e preencher os vazios. Só que perdemos a mão", diz a nutricionista Priscilla Primi. "O que fazer para reverter? Primeiro, calma. Você demorou um ano e meio para ganhar peso, não vá querer perder em duas semanas."

O primeiro passo é focar na saúde. É mais urgente verificar o impacto dos quilos a mais na gordura no sangue, pressão arterial, glicemia etc, segundo Primi. "Preste atenção ao que coloca no prato, mas sem neuroses. Priorize o alimento não pela caloria, mas pelo fato de ser saudável. Só depois comece a pensar na quantidade. É um processo de adaptação importante e, se for gradual, a mudança acaba vindo de forma muito natural."

META POSSÍVEL

É claro que é preciso certo esforço para perder peso. Mas a dica é pensar em metas atingíveis, como parar de comer fritura cinco vezes por semana ou chocolate todo dia. Reduza. Não é necessário eliminá-los. "Adotar dieta restritiva hoje, no momento que estamos passando, é um gatilho para desenvolver um transtorno alimentar. É preciso cuidado", diz Primi.

Maria Francisco Mauro, psiquiatra especializada na área de transtornos alimentares e obesidade e pesquisadora da UFRJ, pede atenção para a relação entre saúde mental e comida. Segundo ela, é preciso diferenciar quem ganhou cerca de 5 quilos daqueles que engordaram 10 ou 20 na pandemia.

"Três quilos é uma variação natural de peso para o período que estamos enfrentando. Mas se a pessoa ganhou 10, 20 quilos passou daquela curva. Nesses quadros, pode haver alterações do comportamento alimentar." Nesse caso, vale procurar um médico.

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