Sempre com o tema "Vida em primeiro lugar" e esse ano com o lema "Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda. Já!", mais um ano a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em comunhão com vários movimentos e representações sociais, nos provocam a refletir o momento em que vivemos; que culmina sempre no dia 7 de setembro, mas com antecedência, nos prepara para isso.
Ao longo desses quase 200 anos da Proclamação da Independência do Brasil (1822-2022), a pergunta é: quão independentes somos enquanto povo? Que liberdade temos, diante de tantas amarras, que não nos deixam viver com a dignidade de filhos de Deus, a que fomos concebidos?
Desde de 1995, somos provocados a fazer essas perguntas, com foco nos aspectos em que naquele momento nos inquieta.
Para esse ano, em meio as preocupações de uma pandemia, que fez aflorar questões básicas de saúde, comida, moradia, trabalho e renda, como podemos nos organizar para darmos respostas a tantas necessidades e urgências a que fomos expostos?
A luta popular, através das organizações sociais, na defesa dos direitos coletivos, tem sido ameaçadas, quando pela Reforma Trabalhista e da Previdência, pela proposta da Reforma Administrativa, traz insegurança ao trabalhador, retirando-lhe direitos e desestabilizando a sustentabilidade financeira, como dos Sindicatos, por exemplo. Quando se procura criminalizar grupos como movimentos sem teto e terra; quando até mesmo os conselhos de políticas públicas são ameaçados de não mais existir; quando a democracia é ameaçada; é hora de resgatar a participação popular como forma de garantir que todo poder emana do povo, nas formas estabelecidas pela Constituição Federal.
Em tempos de pandemia, em que a escolha entre a vida ou a economia, se tornam conflitantes e a prioridade não é a saúde, torna-se ainda mais difícil a moradia e a comida, para milhões de brasileiros.
A falta de sinergia entre os governantes; a demora no atendimento aos pequenos produtores e micros empresários; o atraso no fornecimento e a lentidão no processo de imunização pelas vacinas, trouxe como consequência a perda de mais de 580.000 mil brasileiros, deixando órfãos e famílias desestruturadas para um recomeço, pós pandemia.
O desemprego e a elevação dos preços dos alimentos, coloca milhares de famílias em vulnerabilidade e situação de insegurança alimentar.
A priorização do sistema financeiro ante o produtivo, gera a miséria e a fome.
A ameaça aos povos indígenas e quilombolas, ferem as raízes e a história de um povo.
O estímulo ao consumo de armas, como força de proteção, contradiz com o papel do Estado de garantir a segurança, além de ser uma afronta aos ensinamentos de Jesus, que nos orienta que o Amor é o principal mandamento.
Assim, o Grito dos Excluídos quer dar voz a todos e todas, que de alguma forma, foram amordaçados pelo medo, pela fome, pela falta de um teto, pela descriminação, pela dor que lhe roubou a alegria de viver e a esperança de dias melhores.
Enquanto houver entre nós homens e mulheres de boa vontade, que não se calam diante das injustiças, os gritos ecoarão pela defesa da vida em primeiro lugar!