Tribuna do Leitor

Prisão, morte ou vitória!

Luís Paulo Domingues
| Tempo de leitura: 3 min

Bolsonaro é um político que vive de frases de efeito. Toda vez que é confrontado com um problema, ele se sai com uma frase de efeito. Suas aparições na mídia têm sempre um "que" de Júlio César entrando em Roma, de Mussolini ocupando a cidade com seu séquito entusiasmado. Por isso ele anda de moto, a cavalo, desfila a pé pelo povo. E não é só ele. Sabemos que todo político monta em jegue quando está no sertão, mas essas poses pra foto, na maioria dos casos, não passam de um dos elemento de convencimento dentro um contexto bem mais amplo de atuação. Com Bolsonaro é diferente, pois sua imagem e suas peripécias na televisão, nos jornais e no rádio são o cerne de seu governo. É isso o que ele faz de melhor e, enquanto houver plateia, será o único legado de sua gestão.

Recentemente ele se saiu com mais uma. Em um encontro com evangélicos em Goiás, declarou o seguinte: "Digo uma coisa aos senhores. Tenho três alternativas para o meu futuro: estar preso, ser morto ou a vitória. Pode ter certeza: a primeira alternativa, preso, não existe. Nem um homem aqui na Terra vai me amedrontar. Tenho a consciência de que estou fazendo a coisa certa. Não devo nada a ninguém. E ninguém deve nada a mim também".

Trata-se de um método de ação. Essas são frases que mexem intimamente com a alma noveleira do nosso povo. "Prisão, morte ou vitória" equivale a dizer "independência ou morte" no inconsciente do brasileiro. É algo de definitivo, emergencial, que traz aos sentidos das pessoas uma situação limite, única e épica.

Os rompantes diários do presidente vêm sempre revestidos dessa coisa da ópera ou de um grande desfile de carnaval.

Em nossa bandeira há outra frase de efeito dessas que Bolsonaro gosta de usar: "ordem e progresso". É um lema que todo bolsonarista adora declamar. Mas eu imagino que há um erro muito grave nessas palavras, porque o progresso teria que estar antes da ordem. Do modo que vem na bandeira, parece que é a ordem que vai nos trazer o progresso - como advogavam os seguidores do positivismo no século XIX, mas o mundo já viu que é mentira. Ou seja, quando tivermos ordem, logo, teremos progresso. É a história dos séculos XIX e XX se repetindo como tragédia e como farsa, pois o dito conservadorismo ordeiro e moralista não levou país algum ao progresso social. Trouxe, isso sim, a fortuna para (exemplo do Brasil) 1% que detém 49,6% da riqueza. Nos países realmente evoluídos, que experimentaram um progresso social efetivo e vivem dentro do capitalismo de bem estar social, a riqueza é bem mais dividida, e teve que acontecer uma desordem violenta (a Segunda Guerra Mundial) pra que eles alcançassem esse progresso social que a gente aplaude tanto aqui do lado de baixo do Equador.

Mas não espero que um homem como Bolsonaro inverta a regra e nos traga o progresso, para depois trazer a ordem. Dessas frases de efeito triunfais que o presidente tanto gosta, apenas uma me agrada: liberdade, igualdade e fraternidade. E mesmo assim deu um rolo danado para tentar implantar isso na Europa - e nem lá nós podemos dizer que está tudo certo.

Prisão, morte ou vitória.

Segundo o próprio presidente, o futuro dele está entre essas três palavras. Para o bem do país, penso que devemos torcer pela primeira, quando ele for devidamente apeado do poder, pelo voto ou pelo impeachment.

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