O mais recente conceito de reconstrução da artéria foi utilizado, no Hospital Unimed Bauru (HUB), durante o tratamento de um aneurisma cerebral. O responsável pelo procedimento foi o neurologista Luís Henrique de Castro Afonso e contou com a presença do médico Daniel Giansante Abud, coordenador do serviço de Neurorradiologia e Radiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP.
Diferentemente de cirurgias prévias, que estancavam apenas o aneurisma, com esta nova técnica, utilizada neste último mês, o alvo é o tratamento da artéria de onde o problema surgiu. "Esta modalidade terapêutica é atualmente o estado da arte no tratamento dos aneurismas cerebrais por ter uma alta eficácia na cura completa e um baixo risco", explica Afonso.
De acordo com ele, com o paciente anestesiado, foi passado um cateter pela artéria radial (no punho direito), que alcançou a circulação cerebral. Isso permitiu a colocação de um neurostent na artéria portadora do aneurisma, para auxiliar no remodelamento e na cicatrização progressivos da artéria, levando à obliteração definitiva do aneurisma.
"A alta eficácia e baixo risco da técnica estão fundamentados em três princípios que foram aplicados: o cateterismo pela artéria radial (do punho) e não pela virilha, o uso de neurostents redirecionadores de fluxo de última geração e o uso de novos medicamentos antiplaquetários", destaca o médico.
Para Afonso, a cirurgia foi considerada um sucesso. "Durou cerca de 30 minutos e a paciente teve uma excelente recuperação, com alta em 24 horas, e com apenas um curativo no punho", explica.
O tratamento por técnica endovascular é realizado em diversos países do mundo e encontra-se em constante evolução e aprimoramento. Os recentes avanços da ciência permitem hoje que os aneurismas complexos sejam tratados e que os desafiadores que ofereciam riscos relativamente altos - ou mesmo não poderiam ser curados - agora podem ser tratados com grande sucesso de possibilidade de cura. "A aplicação destes novos conceitos de tratamento dos aneurismas cerebrais ainda é utilizada por poucos centros no mundo e o Hospital Unimed Bauru faz parte deste seleto clube", finaliza o médico.