Regional

Criadores rurais se mobilizam contra onda de ataques de onças

Lilian GrasielaLarissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Criadores de bovinos, equinos, aves domésticas e ovinos da região de Lins (102 quilômetros de Bauru) estão se mobilizando em busca de soluções para tentar frear frequentes ataques de onças aos seus animais. Eles alegam que as medidas já adotadas, como o uso de cercas elétricas, rojões e sinos nas criações, não estão surtindo efeitos e afirmam que, se os prejuízos persistirem, a atividade econômica será inviabilizada e os produtores terão de arrendar suas terras para o cultivo da cana-de-açúcar. Como alternativa, sugerem o manejo das onças para reservas estaduais.

Nesta quarta-feira (8), a pedido dos produtores rurais, o Sindicato Rural de Cafelândia encaminhou ofício ao Departamento de Fauna da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente solicitando a adoção de medidas que garantam a manutenção da atividade pecuária sem que a legislação ambiental seja infringida. O documento também foi remetido à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento.

Apenas neste ano, de acordo com o oficio, foram reportados ao Sindicato Rural registros de ocorrências do tipo em ao menos nove propriedades localizadas nas cidades de Lins, Cafelândia e Guaiçara, que resultaram na morte de 74 animais, entre bezerros, carneiros, potros, gansos e veados campeiros. Também há relatos de casos semelhantes ocorridos em propriedades nos municípios de Promissão e Guarantã.

O engenheiro agrônomo e produtor rural João Carlos Francisco da Silva, 69 anos, que tem rebanho de gado de cria em uma fazenda em Cafelândia, explica que presas tradicionais das onças, como capivaras, antas, preás, lebrões, pacas, macacos, cotias e quatis, não são mais encontradas com a mesma frequência de antes nas matas da região, o que tem levado o felino a buscar alternativas de alimentação.

"A gente já tentou usar cerca elétrica, colocou sininho nos bezerros para fazer barulho. A onça pegou até um bezerro com sininho. Antigamente, a gente ia lá toda noite e soltava rojão para ver se espantava elas. Mas a fome é tanta que não está adiantando mais", desabafa. "Primeiro a onça mata e come a parte mole, como o fígado e o rim. Depois, fica a ossada e ela volta durante três dias para ir comendo o resto".

Segundo ele, as criações de carneiro na região praticamente não existem mais pelo fato de o animal ser uma das presas mais fáceis das onças. Na propriedade dele, nove carneiros foram mortos. "Ela (onça) vai inviabilizar a atividade econômica e, consequentemente, vai se auto-prejudicar porque não vai ter mais o que comer. Vamos ter que arrendar nossas terras para a cana", diz. "Acho que tem que ter uma ação do Estado. Ele tem essa responsabilidade".

SUGESTÃO

O engenheiro agrônomo ressalta que o que os produtores querem é conciliar a atividade econômica com a preservação ambiental. Ele defende a captura das onças por meio de disparos com dardos tranquilizantes e o envio dos felinos para reservas estaduais paulistas. "O Governo do Estado tem uma reserva muito grande lá no Pontal do Paranapanema", afirma. "É um lugar que dá para elas se reproduzirem".

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