Cultura

Documentário debate silêncio atrelado ao suicídio

Laylla Paes
| Tempo de leitura: 3 min

Nesta sexta-feira (10), é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e, visando promover um debate público sobre o assunto por meio das artes, a diretora piracicabana Kit Menezes lança o documentário "Inscrições do Tempo no Corpo Presente". A estreia, marcada para às 20h, ocorrerá de forma online e gratuita, seguida de um debate com profissionais da Psicologia.

A produção audiovisual fala sobre o suicídio, abordando as questões que o rodeiam, como a culpa, o silêncio e a falta de apoio e escuta. Ela também utiliza as artes cênicas como ferramenta para desmistificação do tema, trazendo a tona a importância de prevenção e cuidado com o próximo.

Segundo Kit, a ideia do documentário surgiu após participar de uma oficina na cidade de São Paulo, onde o cineasta Kiko Goifman sugeriu aos participantes que buscassem um tema que poderia dar origem a um documentário em primeira pessoa. "Eu quis falar dessa história que era um fato silenciado [na família]. Fiquei com vontade de investigar", explica a diretora. Ao longo da produção, Kit fez contato com diversos familiares, convidando-os a falar sobre o assunto. "Foi um processo bem difícil que exigiu muitas revisões de mim mesma e das coisas que eu tinha como definidas. [...] Foi um processo de desconstrução e reconstrução, mas também recheado de muitas verdades", conta.

Ao longo da narrativa, algumas performances corporais também ganham cena em meio ao silêncio que ocupa os espaços entre depoimentos dos participantes. "No processo de criação do filme, houve momentos em que as palavras simplesmente não cabiam, e nesse tempo eu estava experimentando o corpo na dança, nos aéreos, e acho que essa possibilidade de experimentar a performance como alternativa para os espaços de respiro veio de forma muito natural. Parece que só podia ser assim", explica Kit. Entre as performances, estão "Tatuagem", "Vestida de passado" e "Terra e sucatas", realizadas pela diretora em conjunto com o Núcleo de Pesquisa e Criação da Casa do Pano (Nuepecc), de Campinas.

Para Kit, o filme não trata sobre o suicídio em si, mas sim sobre o silêncio que cerca o tema. "É muito importante trazermos esses silenciamentos à tona. É importante falar sobre esse silêncio para a gente poder entender o que acontece realmente e o quanto é importante falar sobre as coisas para que elas não se tornem situações definitivas, como a morte", diz.

Ainda na sexta-feira, após a estreia, a diretora do documentário participará de um debate ao vivo com o psicanalista Silvio Guimarães, que é membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio, e com a professora do Instituto de Psicologia da USP, Maria Júlia Kovacs, membro fundadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte.

"Inscrições do Tempo no Corpo Presente" é uma realização da produtora Olhar Através, viabilizada por meio do Programa de Ação Cultural (Proac) Expresso Lei Aldir Blanc, do Governo do Estado de São Paulo, com apoio do Fórum de Cinema do Interior Paulista (ICine).

SERVIÇO

A estreia do documentário será transmitida pelo canal da ICine, no Youtube, pelo link: http://www.youtube.com/icine/. A classificação indicativa é de 12 anos.

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