(Em resposta ao sr. Cesar A. T. Carvalho)
Caro sr. Cesar Augusto Teixeira de Carvalho, percebo o quanto lhe é difícil abrir mão de seu personalismo. Acredite, não o tenho como um arqui-inimigo a quem dedico meu tempo e esforços em combater. Minha batalha sempre foi contra ideias falsas, incompletas, ou tendenciosas utilizadas por gente mal-intencionada para manipular cabeças vazias. Assim, sem me prender cegamente a ideologias ou idolatrar pessoas, me permito uma isenção crítica ao avaliar políticas públicas (ou ausência destas) nos projetos de Estado. Fácil é, portanto, constatar que vivemos à mercê de um governo que, não possui nem um, nem outro.
Forçoso é, todavia, reconhecer que, apesar de incompetente como administrador, Bolsonaro soube usurpar com maestria o lastro alheio em proveito próprio, apoiando sua incompetência em duas muletas: Moro (como paladino da justiça) e Guedes (como o mago da economia).
No mais, uma campanha simplória, mas eficaz, garantiu que mentiras repetidas forjassem o medo e alimentassem uma revolta nonsense. E o resultado não trouxe nenhuma surpresa, afinal, não era a primeira vez que o brasileiro votava guiado pela ira e não pela razão... Para quem já tinha votado no rinoceronte Cacareco e no macaco Tião, qual seria o problema em apostar noutra aventura grotesca, não é mesmo?
Hoje, a parcela lúcida da população e aquela que se deu conta do engodo, sabe que Bolsonaro vive em um mundo paralelo onde transita entre o conceito de justiça de Trasímaco e práticas deontológicas, sem o menor pudor. Até mesmo o básico (combate à corrupção e recuperação da economia) caiu por terra. De um lado, a desmoralização sistemática da justiça para acobertar a corrupção que floresce dentro do clã... De outro - quanto à economia - nem é preciso falar: o povo está pagando caro a aposta insensata... No mais, a velha estratégia de responsabilizar os outros e criar polêmicas para alimentar o ódio e criar cortinas de fumaça...
Todavia, toda essa minha argumentação fundamentada é vã quando algumas pessoas optam pela ignorância, fazendo da política uma religião e de políticos, seus deuses, em um messianismo perigoso.
Portanto, sr. Cesar, antes de passarmos para um nível mais avançado, gostaria de sugerir a leitura de dois livrinhos: "O Reizinho Mandão" e "Dois Idiotas Sentados Cada Qual no Seu Barril..." - ambos da grande escritora Ruth Rocha. Embora o estilo lúdico seja destinado ao público infantil, essas duas obras lhe darão uma visão preambular sobre "autoritarismo" e "intolerância", podendo descortinar muito sobre a ideologia e o modelo de mundo que hoje o senhor defende... Quem sabe um dia, quando (e se) o senhor tiver condições cognitivas para entender esses elementos básicos que caminham na contramão da democracia, possamos dialogar de forma mais ampla e madura... Por ora, leia, medite... Procure expandir seus horizontes...
Compreendo que a seus olhos Bolsonaro seja a solução para todos os problemas do mundo (quiçá do Universo).... Porém, lamento informar: a compreensão da geopolítica vai muito além de discussões rasas sobre "esquerdismo" ou "direitismo"... Assim como o Brasil é muito maior que Bolsonaro, Lula ou Ciro, como o senhor tenta tacanhamente resumir...
Quanto a meu voto, sr. Cesar, esclareço que não tenho nenhuma obsessão, fetiche ou idolatria fantasiosa... Prossigo como Diógenes, levando minha luz pelo caminho, à procura de um homem honesto... preferencialmente que possua um coração sensível para amar o povo... e um cérebro capaz de colocar em prática um projeto sério para nosso país... ou seja: qualquer coisa diferente desse impostor que hoje está aí...