Rio - As manifestações pelo impeachment de Jair Bolsonaro marcadas para este domingo (12) ocorrem em meio ao esforço dos organizadores para manter um caráter apartidário e sem palanques para 2022. Os protestos foram convocados por movimentos de direita e depois reforçados pela adesão de centrais sindicais e do PDT de São Paulo, mas alguns líderes ainda resistem à ideia de abrir espaço ao PT e a setores da esquerda organizados numa campanha paralela.
Este é o primeiro ato de rua organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelo Vem Pra Rua na campanha pelo impeachment de Bolsonaro. Estão previstos atos em 15 Capitais. Mesmo que tenham objetivo em comum com a esquerda, a aproximação é um tabu, uma vez que esses movimentos ganharam projeção nacional durante a campanha pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.
O protesto deste domingo é encarado pelas lideranças como uma oportunidade de resposta às manifestações bolsonaristas de 7 de Setembro, quando manifestantes pediram o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e intervenção militar no País. A carta na qual Bolsonaro sinalizou recuo, publicada na quinta-feira, foi encarada com ceticismo pelos organizadores.
Até a semana passada, organizadores do ato deste domingo defendiam oposição tanto a Bolsonaro quanto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2022. Após conversas com centrais sindicais, porém, o MBL concordou em revogar o mote "nem Lula, nem Bolsonaro" e focar apenas no impeachment do presidente.
Enquanto líderes acreditam em aproximação entre as campanhas, ainda há hostilidade em relação ao PT entre integrantes do MBL e do Vem Pra Rua. "Entendo que essa manifestação não comporta pauta favorável a Lula", disse a porta-voz Luciana Alberto, do Vem Pra Rua. "Tenho amigos de esquerda que não votam no PT e que vão à manifestação. São todos bem-vindos, mas entendemos que o PT não está interessado no impeachment de Bolsonaro."