Polícia

Crime de 'sextorsão' chega a Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um crime que explora a vulnerabilidade de homens que flertam com mulheres jovens e desconhecidas na Internet está ganhando terreno em Bauru. Conhecida no meio policial pelo nome de "sextorsão", a prática consiste na ameaça em divulgar imagens íntimas da vítima ou até fazer acusações de pedofilia para forçá-la a fazer transferências bancárias da ordem de alguns milhares de reais.

Em Bauru, a 1.ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Deic já apura dois casos do tipo, registrados entre o fim de agosto e início de setembro. Há, contudo, grande probabilidade de haver um alto número de subnotificações, devido ao constrangimento das vítimas e medo da exposição.

Titular da DIG, o delegado Cledson Nascimento conta que, de modo geral, os alvos são homens a partir de 40 anos, que demonstram ter algum poder aquisitivo em suas redes sociais. Assim que a vítima é selecionada, os criminosos fazem contato por mensagens privadas, por meio de um perfil falso de uma mulher jovem e bonita, que começa a seduzir estes contatos até conseguir o número de celular deles para continuar a conversa por WhatsApp.

"Em determinado momento, esta suposta mulher começa a mandar 'nudes' e instiga o homem, que quase sempre é casado, a fazer o mesmo. Assim que ele manda imagens íntimas, as ameaças de divulgação destas imagens e prints de conversas à esposa e pessoas próximas começam", detalha.

A partir de então, segundo Nascimento, a extorsão ocorre em três estágios. Inicialmente, o golpista pede um valor menor, em torno de R$ 3 mil, para não compartilhar as imagens. Assim que a vítima cede à chantagem, ele começa a se passar pelo pai ou tio da suposta jovem, dizendo que ela é adolescente e que irá denunciar o homem por pedofilia à polícia.

"Nesta fase, é pedido um valor maior e, assim que a vítima faz a transferência do dinheiro, um outro número de celular faz contato, com uma pessoa se passando por policial civil do Rio Grande do Sul, que diz ter tomado conhecimento do caso e pede propina para não instaurar inquérito. Em alguns casos, é enviada até mesmo foto de um homem com o banner da Polícia Civil atrás", descreve o delegado.

CONSTRANGIMENTO

O JC teve acesso também a credenciais policiais e formulários não preenchidos de pedido de prisão preventiva falsos usados para intimidar as vítimas. Nesta última fase, conforme relata Cledson Nascimento, a tentativa de extorsão pode chegar a R$ 30 mil.

"Ainda que a identidade da vítima seja preservada durante a investigação, ela se sente constrangida, porque é um assunto íntimo, e acaba não procurando a polícia. Os criminosos sabem disso e contam com a impunidade", observa.

Ainda de acordo com ele, quase sempre, o número utilizado para aplicar o golpe tem DDD 51, do Rio Grande do Sul, Estado em que a Polícia Civil já conseguiu desarticular algumas quadrilhas especializadas neste tipo de golpe. Porém, ainda que seja possível rastrear números de celulares e contas bancárias, quase sempre os donos são 'laranjas', o que dificulta a identificação dos verdadeiros autores.

"Geralmente, são familiares de presidiários que dizem que a ordem para ceder as contas veio de dentro da cadeia e não podem contar quem é porque o parente pode ser morto. As extorsões, aliás, normalmente vêm de telefones de unidades prisionais. Então, a investigação é demorada, até por serem grupos criminosos de outro Estado, e fica difícil conseguir reaver os valores pagos", frisa. A recomendação, portanto, é para que todos fiquem atentos a tentativas de contato feitas por pessoas desconhecidas.

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