O desmonte da ciência brasileira começou fortemente em 2016 e encontra seu ápice no desgoverno atual, como tristemente mostrado em análises e editoriais que retratam a asfixia orçamentária da área de ciência e tecnologia. Do desprezo à destruição, perdemos cérebros e oportunidades, mesmo com evolução do sistema legal de proteção ao orçamento da área.
O criminoso despresidente continua sua operação de sucateamento institucional e órgãos antes de referência internacional viraram agora motivo de chacota. O único grito de independência possível é acabar logo e de vez com este pandemônio e voltar ao antigo (ainda que incipiente, mas contínuo) desenvolvimento científico e tecnológico.
Um aspecto notório desse descaso: o despresidente conduz a segurança pública como faz com todo o resto, sem qualquer fundamentação lógica, racional ou científica. Armar a população é literalmente dar mais munição aos bandidos, pois é para eles que vão se destinar as armas colocadas no mercado. Todos os estudos mostram que a diminuição da violência se dá com melhores políticas públicas socias, inclusivas e econômicas, além de retirar armas da sociedade. Mas, contra o bronco, a ciência faz pouco efeito.
E para não dizer que não falei das letras, estudiosos continuam se admirando com a capacidade que Machado de Assis teve de ser imortal, não apenas no seu tempo, mas de fato. Sim, o fundador da Academia Brasileira de Letras é um visionário das letras - insisto no tempo verbal presente - que escreve e descreve a sociedade mais de um século e meio depois, incluindo os embates, a violência e até a ciência. Tirante alguns vocábulos em desuso, os textos de Machado têm a mesma atualidade dos melhores cronistas que ainda resistem na esfera jornalística. Que seja, permitam o trocadilho, o instrumento para abrir cabeças mentecaptas que nos governam.
O autor é pesquisador da Unesp Rio Claro.