Washington - Os Estados Unidos anunciaram uma nova parceria com a Austrália e o Reino Unido para reforçar as capacidades navais no Pacífico diante da crescente influência da China na região, equipando a nova frota australiana com submarinos nucleares. A aliança foi batizada de AUKUS.
Se o plano se concretizar, o país da Oceania poderá começar a realizar patrulhas de rotina que poderão passar por áreas do mar do sul da China, região que Pequim reivindica como sua zona exclusiva, e que se estenderão até o Taiwan.
O comunicado foi feito pelo presidente americano, Joe Biden, na noite de quarta-feira, 15, numa videoconferência que contou ainda com os primeiros-ministros australiano, Scott Morrison, e britânico, Boris Johnson. Imediatamente, o anúncio provocou uma reação furiosa da China, que não foi citada diretamente pelo trio.
IRRESPONSÁVEL
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, disse nesta quinta-feira, 16, que o acordo irá "prejudicar seriamente a paz e a estabilidade regionais, exacerbar uma corrida armamentista e dificultar os acordos internacionais de não-proliferação nuclear", informou o Global Times, um jornal chinês controlado pelo Partido Comunista.
"Esta é uma conduta totalmente irresponsável", disse Zhao.
Os submarinos movidos a energia nuclear serão mais rápidos, mais difíceis de detectar e potencialmente muito mais letais do que os submarinos movidos a diesel que a Austrália planeja comprar da França - em uma negociação estimada em US$ 66 milhões (o equivalente a cerca de R$ 346,8 milhões).
Atualmente, apenas seis nações operam submarinos movidos a energia nuclear, e os Estados Unidos haviam compartilhado a tecnologia apenas com o Reino Unido.
A medida é vista como um passo importante para a Austrália, que nos últimos anos tem hesitado em recuar diretamente em relação aos principais interesses chineses. No entanto, o país tem se sentido cada vez mais ameaçado. Não por acaso, há três anos, a Austrália esteve entre as primeiras nações a proibir a Huawei, gigante chinês das telecomunicações.