Internacional

França chama embaixadores dos EUA e Austrália de volta

FolhaPress
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Paris - Em um sinal de agravamento da crise diplomática provocada pela aliança militar entre Estados Unidos e Austrália, a França convocou seus embaixadores em Washington e Camberra para demonstrar insatisfação com o cancelamento pela Austrália de um importante contrato de venda de armas com a França.

"A pedido do presidente da República, decidi chamar imediatamente para consultas nossos dois embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália. Esta decisão excepcional se justifica pela gravidade excepcional dos anúncios realizados em 15 de setembro por Austrália e Estados Unidos", declarou ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian em um comunicado nesta sexta-feira(17).

O governo francês reagiu com cólera ao anúncio de que a Austrália trocaria a França pelos Estados Unidos em um contrato de construção de submarinos nucleares.

"Foi uma punhalada nas costas. Estou realmente enraivecido, muito amargo" disse o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, à rádio France Info.

Sobrou também para o governo do presidente americano, Joe Biden, que foi comparado a seu antecessor, o republicano Donald Trump. "O que me preocupa também é o comportamento americano. Essa decisão unilateral, brutal, imprevisível se parece muito com o que fazia Trump."

Na divulgação realizada na quarta, Biden havia mencionado a França como "parceiro e aliado chave" na região, mas Le Drian diz que o anúncio é uma traição, após meses de conversa sobre atuação conjunta. Autoridades relataram a agências internacionais terem descoberto o novo acordo pela imprensa.

Furiosos, os franceses cancelaram um evento de gala que comemoraria nesta sexta a ajuda da marinha do país na batalha de 1781 pela independência americana.

A nova parceria com os EUA e o Reino Unido significa o cancelamento de um contrato assinado pela Austrália com a França em 2016, que chegaria a US$ 90 bilhões (R$ 475 bilhões, pelo câmbio atual), segundo a mídia do país. Mas é principalmente um golpe para as ambições francesas de fortalecer sua presença na região do Indo-Pacífico, palco de disputas territoriais envolvendo a China.

A Marinha da França é a única, entre as dos países da União Europeia (UE), com presença relevante na região do Indo-Pacífico.

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