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Paulo Freire segue reconhecido no Exterior

FolhaPress
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São Paulo - No intervalo de 48 horas entre o dia 7 de setembro e o dia 9, um único livro do educador Paulo Freire foi citado em 23 livros e artigos acadêmicos ao redor do mundo. Ele teria completado 100 anos ontem. Nasceu em Recife, Pernambuco.

O número de obras que a tiveram a edição em inglês de "Pedagogia do Oprimido" como referência, redigidas por autores do Cazaquistão aos EUA, dá uma medida da relevância de Freire a despeito da série de ataques nos últimos anos.

Segundo levantamento feito em 2016 pelo professor Elliott Green, da London School of Economics, a versão em inglês de "Pedagogia do Oprimido" era a terceira obra de ciências sociais mais citada naquele ano no mundo.

De forma bem resumida, o cerne da teoria de Freire é que a educação é uma ferramenta contra a opressão e que qualquer processo educacional deve partir da realidade do próprio aluno. A partir disso, ele criou um método de alfabetização de adultos que foi interrompido pela ditadura militar, mas os desdobramentos dessa premissa se ramificaram muito além dele.

As obras do educador são referência para projetos não só de educação, mas de saúde, artes plásticas e até segurança pública.

A popularidade e atualidade da obra do educador brasileiro se deve principalmente à perpetuação das mazelas do mundo em que ela foi escrita, diz John Holst, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA.

"Considerando-se o fato de que a maioria das pessoas do mundo são da classe trabalhadora ou camponeses, suas realidades são caracterizadas pela opressão. Não foi Paulo Freire que inventou isso. Portanto, se o conteúdo da educação é baseado na experiência das pessoas, questões de classe, raça, gênero e desigualdades nacionais passam a fazer parte do conteúdo da educação, porque são conteúdo da vida da maioria dos estudantes", diz.

Segundo o Google, agosto de 2021 foi o mês em que o termo "Paulo Freire" mais foi buscado na última década, boa parte por ele ter sido criticado por frentes de direita e membro do governo. O assunto foi parar até na Justiça. Mas, na média, o brasileiro buscou menos por Freire nos últimos cinco anos do que no período anterior. 

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