Economia & Negócios

Um a cada três bauruenses está com contas em atraso

Tisa Moraes e Joyce Lopes (estágio sob supervisão)
| Tempo de leitura: 2 min

Um a cada três moradores de Bauru está com contas em atraso, conforme revela levantamento elaborado pela Serasa. Ao todo, são 135 mil consumidores inadimplentes na cidade, que contabiliza 381.706 habitantes, segundo estimativa do IBGE.

O valor médio não pago por cada um destes devedores é de R$ 5.292,40, o que corresponde a um débito acumulado de R$ 140 milhões. Segundo a Serasa, o índice de inadimplência - de pessoas com ao menos uma conta em aberto - aumentou durante a pandemia, em um cenário de inflação em alta, dólar elevado encarecendo produtos cotados a preços internacionais, desemprego, perda de renda e de poder de compra, que tem desafiado a população a cortar gastos para fazer as contas caberem dentro do orçamento (leia mais abaixo).

Além da renda baixa, a Serasa aponta que outro agravante é a falta de educação financeira do brasileiro, que "está acostumado a viver no limite das suas finanças". Na análise dos principais ramos da economia para quem os consumidores mais devem, o levantamento mais recente, do mês julho, mostra que bancos e cartões de crédito seguem como o principal fator de inadimplência no País (29%). Na sequência, figuram contas de energia elétrica, gás, água e saneamento, com 24%; e varejo, com 13%.

As altas sucessivas nos preços dos combustíveis e do gás, bem como da energia elétrica, em decorrência da crise hídrica do País, têm sido, aliás, complicadores para o equilíbrio das finanças da população. O economista Reinaldo Cafeo reforça que, de fato, a dificuldade para manter as contas em dia é resultado deste conjunto de fatores que levaram à perda de renda e encareceram o custo de vida.

PRIORIDADES

Para os donos de pequenos negócios, por exemplo, a interrupção do atendimento ao público por períodos prolongados resultou na perda de faturamento. Aqueles que ainda possuíam alguma reserva financeira conseguiram honrar seus débitos, até o momento em que acabaram ficando inadimplentes, seja com fornecedores, com aluguel ou por não conseguirem honrar as parcelas de linhas de crédito, como o Pronampe, adquiridas para tentar salvar o empreendimento.

"O pequeno empreendedor é uma característica da nossa cidade e aquele que não quebrou está sobrevivendo assim, priorizando a casa e administrando como pode, atrasando o pagamento de contas, inclusive do cartão de crédito", frisa.

Já o trabalhador da iniciativa privada não viu seu salário ser reajustado de acordo com os índices de inflação, que chegou a quase dois dígitos (9,68%) no período dos últimos 12 meses. Além disso, muitos ficaram desempregados - são 14,8 milhões garimpando uma oportunidade no mercado, sem contar os que se formalizaram como microempreendedores individuais, em busca de recompor a renda perdida.

MEIS ‘NO VERMELHO’

Atualmente, são 37 mil MEIs inscritos em Bauru, sendo que metade deles estava inadimplente em agosto deste ano, conforme o JC divulgou. "Estes trabalhadores estão despendendo cada vez mais dinheiro para suprir necessidades básicas, então, ele traça prioridades, que são alimentação, água, luz. O crediário, as prestações estão ficando para depois", complementa Cafeo.

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