Atitude

O bom dos 80 anos

Constança Tatsch
| Tempo de leitura: 2 min

Em 1940, a expectativa de vida média do brasileiro era de 45,5 anos. Pois foi precisamente naquela década que nasceram os homens e mulheres que dão cara à revolução na qual vivemos hoje: os octogenários cheios de vida. Representados nesta reportagem por personalidades como os atores Rosamaria Murtinho, Mauro Mendonça, Renato Aragão, Ilva Niño, o empresário Abílio Diniz e os médicos Angelita Habr Gama e Joaquim Gama Rodrigues, eles demonstram que não só estamos vivendo mais, mas também muito melhor. Os octogenários de hoje são ativos e vivem plenamente.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016 o Brasil tinha 3,4 milhões de idosos com mais de 80 anos. Projeções indicam que hoje já seriam 4,2 milhões. E o número de octogenários segue crescendo. Em 2060, acredita-se que serão 19 milhões.

Todo mundo quer uma vida longa. Mas, sobretudo, todo mundo quer viver bem. Para o epidemiologista Alexandre Kalache, do Centro Internacional de Longevidade, do Rio, os idosos têm hoje outro papel na sociedade.

"Queremos envelhecer não no aposento, que inspira a palavra aposentadoria, mas na sala da frente. Quando nasci, em 1950, tinham 14 milhões de pessoas com mais de 80 anos no mundo. Depois dos 60, a pessoa já estava envelhecida, era invisível, e era excepcional alcançar os 80. Em 2050, chegará a 388 milhões. Hoje, o grupo da população que mais cresce é dos com mais de 80. Estamos em plena revolução da longevidade",  afirma.

Dois fatores foram preponderantes para essa mudança: a prevenção e a detecção precoce de doenças. No caso da prevenção, houve uma conscientização sobre o que faz bem e o que faz mal. Por exemplo, há 40 anos, o Brasil era um país de fumantes, mas conseguiu reverter esse cenário. O Vigitel, que realiza a vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, apontou no último levantamento que só 9,8% dos brasileiros eram fumantes. A noção do que é uma alimentação saudável ou da importância da prática de atividade física também cresceu.

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