O promotor de Justiça de Defesa da Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, instaurou inquérito civil para apurar como teria sido a viagem à Europa realizada pelo ex-presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) Edson Gasparini Júnior em 2012. O caso se tornou público após a atual diretoria da companhia identificar documentos que comprovariam que Gasparini e outras duas funcionárias da Cohab teriam forjado documentos para justificar a participação em um evento, supostamente realizado em Bruxelas, na Bélgica.
O novo inquérito foi instaurado de ofício pelo promotor Helene após ele tomar conhecimento dos fatos relacionados à viagem. "Eu tomei conhecimento dos fatos, instaurei (o inquérito), já expedi os ofícios necessários, a Cohab já apresentou alguns documentos, nós já determinamos a juntada e estamos aguardando agora a vinda de outras informações. Queremos saber o que aconteceu nesta viagem", explicou.
O Ministério Público, por meio do promotor Fernando Masseli, instaurou em julho deste ano ação civil pública que busca responsabilizar o ex-presidente da Cohab Gasparini Júnior por enriquecimento ilícito, dano ao erário e violação dos princípios administrativos. Além de Gasparini e de mais quatro pessoas ligadas à companhia, são alvos sua filha, esposa e sogra, de acordo com o promotor, por terem sido beneficiadas pelos recursos que, de acordo com a investigação criminal, teriam sido desviados da Cohab.
Além do último inquérito e da ação civil, o promotor relata que outros procedimentos investigativos foram instaurados anteriormente para apurar outras viagens feitas por funcionários da companhia, quando Gasparini ainda era presidente, mas também para apurar situações ocorridas durante a presidência de Arildo Lima Júnior, que permaneceu no cargo entre 2019 e dezembro de 2020.
FÓRUM INTERNACIONAL
Os documentos sobre as viagens foram identificados durante uma sindicância que vem sendo realizada pela atual diretoria e foram anexados ao processo que corre na 4ª Vara Criminal de Bauru, a pedido de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Neles, consta que o então presidente, Gasparini Júnior e outras duas funcionárias da Cohab alegaram a necessidade da viagem para a participação em um suposto Fórum Internacional da Habitação e Interesse Social. O convite para participação teria partido da Casa Civil da Presidência da República, porém, uma apuração comprova que tal convite não existiria, o que leva os promotores do Gaeco a afirmar que ele teria possivelmente sido fraudado para justificar as despesas com a viagem, todas pagas com dinheiro da Companhia.
Outros documentos juntados ao processo mostram ainda que o grupo teria ido também a Frankfurt, na Alemanha. E-mails de uma das acusadas mostra compras e passeios em outras localidades da Europa, como Londres e Paris, no mesmo período em que o tal seminário ocorreria.
O Jornal da Cidade fez contato com a defesa da Gasparini Júnior, mas como o trâmite ainda está na fase de inquérito e corre na esfera civil, o advogado que o representa na esfera criminal não quis se pronunciar.