Na reportagem deste jornal, veiculada em 12 de setembro, pode-se observar a triste realidade em que o IPMet se encontra. Mais que isso, que para a sobrevivência do órgão seria necessário uma mobilização das autoridades municipais. Somente assim seria possível alterar o quadro, de acordo com as pessoas ouvidas na reportagem.
Contudo, é importante considerar o que verdadeiramente vem sendo feito. Nesses últimos tempos, nota-se um total descaso da Unesp em relação ao IPMet. Principalmente em atos (ou a falta deles) na administração passada.
O abandono inicia com o IPMet deixando de repor profissionais em seu quadro de pesquisadores. Um a um, eles foram se aposentando. E sem reposição, o órgão viu-se obrigado a encerrar o seu ciclo de pesquisas, vital para sobrevivência.
Como resultado desse abandono e a amputação do departamento de pesquisadores, perdeu-se também o status de Instituto de Pesquisa, tornando-se apenas um Centro de Meteorologia.
E, nesse momento, o que verdadeiramente ocorre é o efeito cascata. Com a perda da condição de Instituto de Pesquisa, perde-se imediatamente o status de unidade complementar (que é ligada diretamente à reitoria da Unesp) e passa a ser um simples apêndice vinculado à Faculdade Ciências de Bauru.
E a queda continua. Obviamente, com todo esse rebaixamento, perdem-se as verbas de custeio. Ou seja, o IPMet se vê obrigado a custear a sua sobrevivência, através dos recursos oriundos da comercialização de laudos meteorológicos, dados de radares e alguns contratos com empresas privadas.
É importante compreender que esse tipo de transação comercial sempre ocorreu. A diferença é que anteriormente, essa verba era direcionada - exclusivamente - para a manutenção e atualização dos radares.
Como a crônica do abandono anunciava, segue a cascata do desmantelo.
O quadro de servidores do IPMet fica, a cada dia, mais reduzido. Atualmente, apenas funcionários antigos (em vias de aposentar-se) que, diante das dificuldades da universidade, e como ocorrido com os pesquisadores, dificilmente serão mais repostos.
Para piorar uma situação que já estava ruim, o IPMet está se desfazendo da equipe técnica de manutenção dos radares.
Tudo leva a crer que a universidade quer mesmo que o IPMet feche suas portas. E optou pela forma mais desonrosa.
Os radares do IPMet são equipamentos bons, bastante robustos e com pelo menos 30 anos de operação.
Vários upgrades foram feitos nos radares. Porém, nos últimos anos isso parou de acontecer. Há muito tempo não se investe na modernização dos radares e tampouco na compra de sobressalentes para as suas manutenções, favorecendo o sucateamento dos equipamentos.
Os radares, agora obsoletos, deveriam ter sido substituídos há muito tempo por equipamentos com novas e modernas tecnologias.
Ou seja, daquele instituto de pesquisas meteorológicas que era referência em São Paulo e em todo País, muito pouco restou. A não ser o prestígio e a fama alcançados pela excelência da atuação.
O descaso com o patrimônio público beira o absurdo. Para se ter uma ideia, as manutenções que foram feitas no últimos anos, devido a crescente escassez de recursos, foram precárias e no mais das vezes, de maneira artesanal.
Inúmeras tratativas foram feitas, na busca por soluções, com o governo do estado. Todas em vão.
A pergunta urgente que se faz é: até quando Bauru vai perder? Por quanto tempo ainda assistiremos o total descaso com o patrimônio público. O dinheiro que fez famoso o IPMet era público. Impostos da população. E agora, estamos assistindo todo esse investimento ir para o ralo.
Soluções existem. O que não existe é vontade.
Até quando Bauru vai perder?