As adaptações da literatura para o cinema são motivos de controvérsia entre fãs de grandes obras. Afinal, será que existe realmente um limite entre a criatividade audiovisual e a fidelidade à literatura? O misticismo por trás deste tema foi o que instigou o professor Marcelo Bulhões a publicar seu mais novo livro, intitulado "Cinema: da letra à tela", que já está disponível no site da editora Artes e Ofícios.
Doutor em Literatura Brasileira, Marcelo é livre-docente da Unesp Bauru há mais de 30 anos, atuando majoritariamente nos cursos de Comunicação Social da universidade. Ao longo dos últimos 10 anos, dedicou-se a pesquisar sobre as adaptações da literatura para a televisão e cinema, debatendo questões como qualidade, fidelidade, liberdade e interpretação.
"Fiz um estágio de pesquisa na Europa, financiado pela Unesp, para saber um pouco sobre o que havia sobre o assunto nas universidades europeias, e sempre percebi uma carência no Brasil de obras específicas sobre o tema da adaptação literária, especificamente sobre para cinema e televisão. Foi então que comecei a pensar no livro", conta.
Esta já é a sexta obra publicada pelo autor, que possui em seu repertório 'A Fição das Mídias: um Curso sobre a Narrativa nos Meios Audiovisuais' (Ática, 2009), 'Jornalismo e Literatura em Convergência' (Ática, 2007), 'Leituras do Desejo: O Erotismo no Romance Naturalista Brasileiro' (Edusp, 2003), 'Literatura em Campo Minado: a Metalinguagem em Graciliano Ramos e a Tradição Literária Brasileira' (Annablume, 1999), 'Jornalismo Literatura e Violência: A Escrita de João Antônio' (Unesp/FAAC, 2005), além de diversos artigos nas áreas de Comunicação e Letras.
No novo lançamento, o professor traz ao debate público a 'liberdade' que as adaptações pressupõem, mostrando que a literatura não precisa ser seguida à risca, como via de regra, e que os diretores e roteiristas, como leitores, também possuem a liberdade de criar e transformar a obra a ser adaptada de acordo com sua própria percepção. "É natural que o leitor apaixonado por uma obra vá ao cinema, ou vá assistir um produto audiovisual, buscando encontrar na tela algo que ele viveu da experiência como leitor. Este caminho leva, não raramente, a uma frustração. [...] No interior desta questão, estamos tratando de duas linguagens diferentes. [...] Uma coisa é a linguagem verbal, outra é a audiovisual. [...] Tratam-se de sistemas de linguagens diferentes, divergentes e autônomos", explica.
Ao longo do livro, o autor traça comparações com grandes clássicos que foram adaptados para as telas e receberam críticas por suas divergências, como, por exemplo, a obra de Machado de Assis, "Dom Casmurro", que ganhou a televisão sob o nome de "Capitu", em 2008, pela Rede Globo. Ele conta que, na época, houve críticas a respeito das modificações feitas na trama, mas que deveriam ser encaradas como algo 'normal'. "Disseram que Luiz Fernando Carvalho 'traiu' Machado de Assis. Eu escrevo um capítulo sobre isto, mostrando o grande equivoco que traz um julgamento como esse", conta. Segundo o autor, "o filme não substitui o livro e nem o livro substitui o filme. Isto não significa dizer que as obras audiovisuais não busquem certos contágios e correspondências".
A sexta obra de Marcelo Bulhões promete encantar e instigar tanto os estudiosos de literatura e cinema, quanto os telespectadores e leitores aficionados, abordando questões indispensáveis sobre o tema de uma forma ampla e completa.
SERVIÇO
O livro "Cinema: da letra à tela" já está disponível para compra pelo link: https://arteseoficios.websiteseguro.com/loja/detalhe.php?id=388/.