Cultura

Vacinação avança e retomada de shows presenciais anima o setor

Laylla Paes
| Tempo de leitura: 5 min

A retomada das atividades e o avanço da vacinação contra a Covid-19 tem feito com que, aos poucos, alguns setores da economia retomem seus trabalhos. É o caso da cultura e do turismo. Já com alguns shows sendo programados para o próximo ano e uma crescente procura por parte do público, agentes da área veem o futuro pós-vacina com otimismo, na esperança de recuperarem o "tempo perdido" após quase um ano e meio de pausa.

Pegos de surpresa em março de 2020, ninguém poderia imaginar que o novo coronavírus viria com tanta força - e para ficar. "Eu vivia somente de excursões há uns 4 anos. Com o início da pandemia, tive todas as excursões 'adiadas' sem prazo determinado. Fiquei quase um ano parada, vivendo com a reserva que eu tinha, esperando que voltariam logo as excursões. Porém, acabou demorando mais do que o previsto e tive que arranjar um emprego fixo", conta Clarissa Onuma, proprietária da Bauru Excursões. Desde 2008, sua empresa atua em Bauru e região promovendo viagens culturais, oferecendo uma alternativa de lazer para a população. "[As excursões] bombavam muito! Eu vivia apenas disso. Já aconteceu de ter evento em Ribeirão e irem quatro ônibus com meus guias e eu com outro ônibus em Capitólio", conta.

Quem também sofreu com os impactos da pandemia foi Ronaldo Diegoli, proprietário da RD Cultural. "O começo da pandemia, até aquele fatídico dia, acho que foi dia 14 de março de 2020, foi muito impactante porque, no dia seguinte [15], haveria um show do Backstreet Boys no Allianz Parque, em São Paulo. Naquele momento, a gente nem sabia se ia cancelar, adiar ou se ia acontecer mesmo. Isso foi em um sábado. E aí, chegou um comunicado da produtora dizendo que não seria possível realizar o evento", relembra. Desde 2007, sua empresa atua fortemente no setor cultural da região, promovendo excursões para diversos eventos, shows, feiras e exposições. Entretanto, com a chegada da crise sanitária, Ronaldo viu as vendas pararem completamente. "Nós tínhamos uma média de 60 pessoas comprando pacotes por mês. Depois da pandemia, a partir de abril, ficamos por mais de um ano sem ter praticamente nada. Zero de vendas", conta.

RETOMADA

Com o avanço da cobertura vacinal no País, cantores, atores, artistas e produtores retomam o agendamento de eventos com presença de público. É o caso do Rock in Rio. Em 2019, o evento reuniu cerca de 700 mil pessoas ao longo de sete dias de evento, contando com a apresentação de 250 artistas e mais de 600 horas de música, como divulgado pelos organizadores.

Para 2022, a expectativa é de que o festival seja ainda maior. De acordo com informações publicadas no site oficial do festival, as 200 mil unidades do "Rock in Rio Card", ingresso que garante uma vaga em qualquer um dos dias do festival, esgotaram em 1 hora e 28 minutos.

Essa alta procura também refletiu nas agências de excursão locais. "O Rock in Rio é o principal evento da RD Cultural. O festival tem o poder de fazer a coisa renascer e foi uma coisa bem parecida que aconteceu aqui. A partir de agosto, quando começaram a anunciar os nomes, extraoficialmente para o festival, já começamos a ter um movimento melhor com as pré-vendas de pacotes. Quando começou a confirmação oficial dos nomes, como Justin Bieber, Post Malone, Iron Maiden, Megadeath e Sepultura, foi um divisor de águas. Aí foi que, realmente, voltaram as vendas como se fosse um período pré-pandemia", conta Ronaldo.

Outro evento que vem sendo muito procurados pelos aficionados por música é o Encontro das Tribos, realizado anualmente em Ribeirão Preto. "Por ser o primeiro festival depois da pandemia e pela confirmação dos artistas serem todos 'tops', a procura está muito boa. Chega a se comparar com a época antes da pandemia", conta Clarissa. "Estou otimista com esse evento, com uma previsão de 6 ônibus, no mínimo".

A No Rolê, empresa de Dílon Soubhia, também tem recebido uma alta procura por parte do público para shows de 2022. "O nosso segmento foi um dos primeiros a parar e é um dos últimos a retornar. [...] A vacinação demorou, mas parece que agora vai. A galera está realmente 'louca' para voltar aos shows", diz. Há quase 10 anos no setor, Dílon já levou cerca de 8 mil pessoas para eventos ao longo de sua carreira. "Eu realmente estou muito feliz. Vamos ter que trabalhar muito agora depois de tanto tempo parado. Estamos com esperança", conta.

Segundo ele, diversas pessoas já possuem créditos com as empresas de excursão, advindos de compras feitas antes da pandemia que tiveram seus eventos cancelados. "Muita gente já está com o dinheiro aplicado na economia deste segmento. Tudo ficou como crédito. [...] Então já temos isso, somado ao fato de que o pessoal está trancafiado em casa a quase anos, louco para sair. A pandemia fez com que a gente valorizasse essas pequenas coisas, como estar com os amigos e estar no rolê", explica.

ESPERANÇA

Após tantos meses de isolamento social, a expectativa é de que os eventos retornem com força total, reunindo ainda mais pessoas do que nos últimos anos. Isto porque, após um longo período sem eventos e socialização, muitas pessoas já não veem a hora de reunir a galera e aproveitar um momento de diversão em conjunto.

"As pessoas querem muito estar em um show e voltar naqueles momentos que a gente tinha. Assistir um show ao vivo é uma sensação totalmente diferente do que assistir uma live, por exemplo. Claro que elas ajudaram bastante, mas a presença em um show ao vivo é insubstituível", diz Ronaldo. "As pessoas estão esperançosas, querendo estar mais próximas uma das outras".

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