Aos 25 anos, a maquiadora Raiza Bernardo sofreu por muitos anos por ter nascido com fissura labiopalatina, mas, hoje, esbanja confiança e maturidade ao falar dessa questão. "Você é bonita do jeito que você é. Não deve colocar a fissura, a cicatriz, a aparência como empecilho, porque nós podemos tudo", afirma a jovem. Ela foi uma das participantes de um evento nesta terça-feira (28) no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), da USP Bauru, que integra a Semana Internacional de Fissura Labiopalatina, realizada pela Smile Train (leia mais abaixo).
A programação marca o Dia Mundial do Sorriso, comemorado na próxima sexta-feira (1). Neste ano, o tema da Semana Internacional é "Todos os Sorridos são Lindos", com o combate ao bullying, situação ainda frequente para a imensa maioria dos fissurados, especialmente na infância e na adolescência.
"Já sofri bullying até mesmo de professores", relata Raiza, que é de São Paulo, mas faz tratamento no Centrinho/USP desde bebê, onde já passou por cinco cirurgias.
Lidar com o preconceito tem sido um longo aprendizado. "Trabalhei muito meu psicológico, passei por terapia. No início, queria me maquiar para cobrir minha cicatriz. Parei de pensar dessa forma. A maquiagem, então, virou uma forma de realçar a beleza que eu tenho. Até a sua cicatriz pode ser um charme".
CONSCIENTIZAÇÃO
Além de uma breve cerimônia e discursos de autoridades da USP e parceiros, o evento realizado ontem no Centrinho contou com uma série de brincadeiras e também guloseimas para os pequenos pacientes. Vallensa Luiza Garcia, 11 anos, se divertiu com as pinturas. A menina está no 5.º ano do ensino fundamental e o bullying já é uma preocupação em casa. "Não tem como evitar, então tenho que trabalhar muito na cabecinha dela sobre isso, para ela não se fragilizar em qualquer situação", explica a mãe, Celia Isabel Garcia, 49 anos.
"A escola ainda é o ambiente mais propício para ocorrer o bullying, porque é onde as crianças têm mais convivência", explica a chefe da Seção de Psicologia do Centrinho, Mariani da Costa Ribas.
Por isso, segundo a especialista, a informação e o diálogo são fundamentais para minimizar essa forma de violência. "O primeiro passo é disseminar mais informações para as escolas e professores. E também trabalhar com a criança para entender que a cicatriz, na verdade, é um motivo de orgulho, porque desde pequeninha ela é uma heroína por passar e por vencer tudo isso", conclui.