Internacional

Líderes de todo o mundo reagem às revelações dos Pandora Papers


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Washington - Autoridades de diversos países e políticos de oposição manifestaram-se nesta segunda-feira (4) após virem a público as primeiras informações do Pandora Papers, investigação que revelou a existência de contas e empresas offshore em paraísos fiscais relacionadas a 35 líderes e ex-líderes mundiais.

De acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que liderou a investigação, autoridades e parlamentares de oposição de ao menos nove países já pediram ou anunciaram a abertura de investigações sobre as atividades financeiras descritas. Índia, Paquistão, México, Espanha, Brasil, Sri Lanka, Austrália, Panamá e República Tcheca compõem a lista.

O Kremlin afirmou que não vai iniciar investigações já que, segundo disse o porta-voz Dmitry Peskov, "estamos simplesmente diante de um caso de acusações sem fundamento", seguiu. Figuras próximas ao presidente russo, Vladimir Putin, aparecem nos documentos investigados como proprietários de contas e empresas offshore que foram adquiridas depois de se aliarem ao político. Um dos nomes é o de Svetlana Krivonogikh, que teria tido um relacionamento com Putin.

Na Jordânia, o palácio Raghdan disse que as propriedades milionárias do rei Abdullah nos EUA e no Reino Unido não foram divulgadas por questões de segurança e privacidade. Os documentos apontam que o monarca usou uma rede de contas offshore para comprar diversos imóveis avaliados em mais de US$ 106 milhões. Em comunicado, o palácio afirmou que o rei comprou pessoalmente as propriedades e que nenhum dinheiro do orçamento do Estado ou do Tesouro foi usado.

No Reino Unido o premiê Boris Johnson se vê pressionado após os registros mostrarem que um dos principais doadores de sua campanha, Mohamed Amersi, assessorou uma transição de suborno envolvendo a filha do presidente do Uzbequistão. A atividade teria ajudado Amersi a aumentar sua fortuna.

Em rápidas declarações sobre o assunto, Boris disse que todas as doações para o Partido Conservador foram "examinadas". A oposição trabalhista pressiona para que o partido devolva as 750 mil libras (R$ 5,5 milhões) doadas por Amersi.

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, apesar de ter a família apontada como detentora de 13 empresas offshore, disse em comunicado que as revelações vão "levantar o véu do sigilo para aqueles que não podem explicar seus bens".

Na República Tcheca, o premiê bilionário Andrej Babis negou ter cometido quaisquer irregularidades, como sonegação de impostos, ao usar uma estrutura offshore para comprar uma mansão de 13 milhões de libras (R$ 96 milhões) na França, como mostram os documentos obtidos pelo consórcio jornalístico. A polícia tcheca, em uma rede social, afirmou que iniciará uma investigação.

No Paquistão, país com mais de 700 residentes entre os nomeados na investigação jornalística, a oposição pediu que o premiê Imran Khan demita todos os ministros e assessores de seu gabine mencionados na lista. Já o Ministério das Finanças da Índia afirmou que vai abrir investigação para avaliar se existem crimes nas operações atreladas a residentes no país.

BRASIL

No caso brasileiro, em que empresas em paraísos fiscais do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foram reveladas, o governo não se manifestou, mas partidos de oposição se organizam para pedir a abertura de investigação.

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