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DAE descarta novas fontes de água superficiais além do Rio Batalha

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A crise hídrica e o rodízio de água mais rigoroso em Bauru têm suscitado, além de queixas de munícipes, sugestões ao DAE que, em tese, poderiam minimizar o problema do abastecimento. Nos últimos dias, a autarquia foi questionada sobre estudos de gestões anteriores envolvendo a captação no Ribeirão Água Parada (Zona Norte) e também em uma nascente do Rio Bauru (no ponto entre os córregos Água da Ressaca e Água da Forquilha). Porém, o presidente da autarquia, Marcos Saraiva, não considera, neste momento, novas fontes de água superficiais que não sejam as do Rio Batalha como uma opção viável.

Isso porque, segundo ele, as alternativas estariam muito aquém do custo-benefício em relação ao projeto já previsto no Plano Diretor de Água, que estipula a implantação de uma nova captação no Batalha, a 22 quilômetros abaixo da atual (leia mais abaixo).

"Os investimentos seriam praticamente os mesmos, mas o potencial de contribuição da captação complementar do Batalha é muito superior. A vazão dela chega a 1.260 metros cúbicos por hora, enquanto a do Água Parada seria de 300 metros cúbicos por hora. Nenhuma outra captação nos garantiria essa capacidade no futuro. Por isso, o ponto mais viável de captação para Bauru está no Batalha", pontua Saraiva.

ÁGUA PARADA

Ele explica que, por estar localizado na Zona Norte da cidade, o Ribeirão Água Parada demandaria construção de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA) no local. Segundo Saraiva, isso custaria cerca de R$ 100 milhões e também levaria tempo, ao passo que a captação complementar do Batalha possibilita o uso da ETA já existente, de forma inicial, e está com licitação para contratação do projeto em andamento.

Além disso, ele destaca que seriam necessários quilômetros e mais quilômetros de adutoras para o transporte da água da Zona Norte até os pontos de distribuição na Zona Sul e no Centro, que são as regiões mais afetadas pela falta de água relacionada à atual vazão da Lagoa de Captação do Batalha. "O Água Parada é algo mais para o futuro", fecha questão o presidente do DAE.

Nesta semana, inclusive, o vereador Marcelo Afonso (Patriota) enviou ofício ao DAE pedindo informações sobre o estudo de viabilidade do uso do Água Parada, que foi anunciado pela prefeitura há 12 anos. "Visitamos o ribeirão e constatamos que, mesmo em período de estiagem, ele tem um volume de água quase três vezes maior que o do Rio Batalha", contrapõe o parlamentar.

RIO BAURU

Outra alternativa ao desabastecimento foi aventada pelo ex-presidente do DAE, Éric Fabris, durante entrevista, em 28 de setembro, ao programa Cidade 360º, da Rádio 96FM, Jornal da Cidade e JCNET. Ele disse que, em 2018, a autarquia trabalhou em um plano de contingência contra um possível racionamento e que previa a captação de água de uma nascente do Rio Bauru, no ponto entre os córregos Água da Ressaca e Água da Forquilha, que fica a três quilômetros da ETA.

Na época, o DAE tinha apenas R$ 5 milhões em caixa e Fabris relata ter adquirido 10 quilômetros de adutoras para serem implantadas ao longo das imediações da avenida Comendador José da Silva Martha (altura do cruzamento com a rua Benevenuto Tiritan) até a ETA. O projeto, contudo, não foi colocado em prática em razão das fortes chuvas que o ano registrou.

Segundo Fabris, as condições físico-químicas da água eram boas na época, quando não chovia, e seria possível captar até 250 litros por segundo do líquido.

Tanto Saraiva quanto o diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Heber Soares Vieira, também consideram inviável essa alternativa hoje em dia. Segundo eles, a vazão do trecho é pequena e a qualidade da água é ruim, o que demandaria um novo sistema de tratamento.

"Não dá para garantir a qualidade de um rio que passa por dentro da cidade. Seria necessário mudar todo o sistema e filtros da ETA, que foi projetada para o tipo de água atual. Com a complexidade maior do tratamento, o custo de operação também aumentaria", aponta Saraiva.

"Para captar água ali, também seria necessária uma barragem de elevação de nível do rio, porque não há vazão suficiente. A melhor saída, hoje, está mesmo no Batalha", finaliza Heber.

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