Os criminosos não perdoam nada e nem ninguém em Bauru. Uma criança de apenas 4 anos, com dificuldades motoras nas pernas, teve as órteses (aparelhos de uso provisório que permitem alinhar, corrigir ou regular uma parte do corpo) furtadas na frente de casa, no Jardim Terra Branca. A Apae, sensibilizada com a situação, se prontificou a refazer as peças para Henrique Morais da Silva e deve entregar os novos equipamentos ao garoto em 30 dias.
De acordo com a mãe, a autônoma Cristiane Silva de Morais, 38 anos, o menino apresenta um encurtamento nos tendões das pernas e, por isso, anda na ponta dos pés, com certa dificuldade. O problema de Henrique ainda está sendo diagnosticado.
As órteses foram obtidas pela família há menos de um mês pelo SUS e tinham sido produzidas na Apae Bauru. "Sem essas órteses, a fisioterapia já não estava resolvendo mais", explica a mulher.
O furto do equipamento ocorreu na última sexta-feira (1). Segundo a mãe, Henrique, sempre muito prestativo, resolveu reunir alguns objetos para esperar a carona do avô. Eles passariam o final de semana no sítio. "Achei que ele ia deixar no corredor, não imaginei que levaria para a calçada. Colocou as coisas lá, mas voltou para o quintal. E foi muito rápido, poucos minutos. Quando percebi, fui conferir. Estava tudo na calçada, menos as órteses", narra a mãe.
Cristiane procurou nas proximidades, mas não viu ninguém na rua. "Acho que levaram por causa do tênis que estava junto, que é novo. Não é certo levar nada de ninguém, mas poderiam, pelo menos, ter largado as órteses", complementa.
SEM PISTAS
A primeira sensação foi de revolta. "Comecei a chorar de nervoso, ele me viu e começou a chorar também. Dava pra ver que não eram coisas que jogamos fora. E essas órteses não servem para mais ninguém, porque são feitas sob medida", argumenta. Não há câmeras de monitoramento na vizinhança. Cristiane publicou o fato nas redes sociais, na tentativa de localizar as peças. "Tivemos muitos compartilhamentos, mas nenhuma pista. Ninguém viu nada". Ela não registrou boletim de ocorrência.
Mesmo sem um diagnóstico preciso, os médicos já apontaram a necessidade de cirurgia para Henrique. No entanto, é necessário avaliar os resultados do equipamento. "Ele estava se adaptando bem. Não estava mais caindo, firmava bem os pés no chão", aponta a mãe.
BOA NOTÍCIA
Nesta quarta-feira (6), porém, uma notícia acalmou o coração de Cristiane. Após saber do caso pelo programa Cidade 360º, do JC, JCNET e 96FM, a Apae Bauru informou que irá confeccionar novas órteses para Henrique. "Tirou um peso das minhas costas, fique muito feliz. Pelo SUS, nós só conseguimos uma vez por ano. Eu achei que teria que pagar", diz a mulher.
Ainda ontem, a família foi até a unidade para tirar as medidas. As novas peças ficam prontas em 15 dias e, depois, são mais 15 dias para provas e ajustes. O custo de fabricação de um equipamento como esse fica entre R$ 300 e R$ 600.
"Assim que ficamos sabendo, entramos em contato com a família. Nossa missão é fazer um trabalho humanizado, para oferecer qualidade de vida, autonomia e independência para as pessoas", destaca Roberto Franceschetti Filho, coordenador geral da Apae Bauru. "É uma forma de retribuirmos toda a ajuda que a comunidade oferece para a gente, na forma de doações, campanhas e eventos", complementa.
Em média, 4,5 mil equipamentos são fornecidos pela Apae Bauru anualmente, entre órteses, cadeiras de rodas, andadores, bengalas e muletas.