Rio - Pressionado pela energia elétrica, o índice oficial de inflação do País voltou a acelerar e alcançou 1,16% em setembro. É a maior taxa para o mês desde 1994 (1,53%), fase inicial do Plano Real, apontam dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com a elevação, o indicador quebrou a barreira simbólica dos dois dígitos no acumulado de 12 meses. Nesse intervalo, a alta chegou a 10,25%.
Trata-se da maior variação do IPCA em 12 meses desde fevereiro de 2016 (10,36%). À época, a economia brasileira amargava período de recessão. Os dados de setembro foram divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE.
Apesar de robusto, o avanço mensal de 1,16% veio abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 1,25%. Em agosto, o IPCA havia subido 0,87%. No acumulado de 12 meses (10,25%), o IPCA é quase o dobro do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. O teto é de 5,25% em 2021. O centro é de 3,75%.
Segundo analistas, o acumulado até deve perder algum fôlego nos últimos meses de 2021, devido a um efeito estatístico. O cenário, contudo, está longe de tranquilizar analistas, consumidores e empresários.
A perspectiva é de IPCA em nível alto nos próximos meses, mesmo com a eventual desaceleração. O mercado financeiro projeta inflação de 8,51% ao final de 2021, indicou o boletim Focus, divulgado na segunda (4).
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, oito tiveram alta nos preços pelo IPCA em setembro. O maior impacto (0,41 ponto percentual) e a maior variação (2,56%) vieram do segmento de habitação. O resultado do grupo foi puxado novamente pela energia elétrica. A conta de luz subiu 6,47% e, com isso, teve o principal impacto individual (0,31 ponto percentual) no IPCA de setembro. Em 12 meses, a energia acumulou alta de 28,82%.