Vai subir outra vez. O preço da gasolina, que vem acumulando considerável alta nos últimos 12 meses, terá novo acréscimo nas distribuidoras, de 7,2%, a partir deste sábado (9), anunciou a Petrobras. Em muitos postos de Bauru, o combustível passa dos R$ 5,79 e em alguns atinge R$ 5,99. E um novo preço deverá ser repassado nas bombas para o consumidor final, já no início da próxima semana. O gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, também terá aumento. Leia mais abaixo e na página 17.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), há um ano, em Bauru, o preço médio do litro da gasolina nas bombas era de R$ 3,91.
Já a média de hoje é de R$ 5,72. Uma alta de aproximadamente 31% neste período de 12 meses. Se o novo reajuste da Petrobras for repassado integralmente nas bombas, o valor médio poderá ser de R$ 6,13 o litro.
MANIFESTAÇÃO
O valor impacta e dificulta a sobrevivência de autônomos que trabalham com transporte em Bauru. Um grupo de motociclistas que atua como entregadores para aplicativo de entrega de comida organiza uma paralisação na cidade, de três dias, entre 15 e 17 de outubro. Eles reivindicam reajustes das taxas de entrega em função, também, de mais uma alta no preço do combustível.
De acordo com um destes entregadores, de 26 anos, mais de três deles dedicados ao serviço via aplicativo, por mais que a moto seja econômica se comparada com um automóvel, os gastos com a gasolina ainda são excessivos. O trabalhador optou por ter sua identidade preservada. Ele reclama que no ano passado enchia o tanque com cerca de R$ 35,00 e hoje o valor gasto é de R$ 55,00. E atualmente um tanque cheio de gasolina de moto tem durado um dia e meio. Mas o que mais desabona é a taxa de R$ 5,30 que um aplicativo faz por entregas de até cinco quilômetros de distância entre a empresa que fornece a comida e o cliente. No entanto, essa conta não leva em consideração o deslocamento de onde o motociclista está para chegar até o estabelecimento.
"Esse valor de R$ 5,30 não paga nem um litro de gasolina. O ideal é R$ 7,00 de taxa mínima para até 5 quilômetros e mais R$ 1,50 por quilômetro adicional. Temos que trabalhar dobrado para suprir gastos e manter a nossa família", acrescenta.
"NÃO COMPENSA"
Os motoristas de aplicativos também reclamam do impacto que o reajuste fará na renda familiar e do quanto tempo a mais terão que deixar suas casas para fazer uma renda mensal próxima do que foi há um ano. Muitas corridas, inclusive, estão sendo canceladas por eles devido a distância no deslocamento. Para um deles, Tiago Coelho, de 40 anos, quase quatro anos como motorista, o aumento no combustível acarreta em um horário de trabalho maior do que o de costume. "Temos que rodar mais do que antes. Se eu trabalhava 8 horas por dia, agora tenho que rodar 10. E o serviço é maior nos horários de pico e finais de semana. Tem viagens que cancelamos porque não compensa a distância. Eu já não busco mais nenhum passageiro acima de 3 quilômetros. Não compensa. O impacto negativo na renda final, devido a alta do combustível, tem sido entre 20 a 30%", lamenta.
Outro motorista que trabalha com aplicativo, Pether Toledo, de 46 anos, também reclama que a alta representa muito porque o uso do carro é contínuo. "Infelizmente é impossível usar o tanque cheio. Já é inviável ir até a minha residência para almoçar com a família durante a semana", cita.
E O GÁS?
O gás de cozinha também terá um novo aumento de 7,2%. Há um ano, em Bauru, segundo a ANP, o botijão de 13 quilos tinha um preço médio de R$ 71,42. Hoje o preço médio, antes do aumento, é de R$ 100,23. Uma diferença até então de 28,7%.