Desde que disse "sim" ao pedido de Filipe Teodoro, de 32 anos, lá em 2019, Mariana Nunes, 27 anos, começou o planejamento para se casar na igreja, com direito a uma festa com a família e os amigos. Mas, esse momento precisou ser adiado várias vezes por conta do novo coronavírus. Agora, com o arrefecimento da pandemia e a flexibilização maior das regras sanitárias, ela finalmente realizará esse sonho. Assim como Mariana e Filipe, centenas de casais voltaram a planejar a união, o que tem gerado um "boom" na procura por igrejas em Bauru, neste segundo semestre de 2021.
Considerado um dos locais mais procurados para cerimônias religiosas, o Santuário Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Estoril, já não tem mais datas para este ano. Como forma de atender aos apelos dos fiéis, o padre Gustavo Natividade conta que tem aberto exceções e realizado casamentos até em seus horários de folga.
"Por causa da pandemia, muitos casais que se uniriam em 2020 ou no primeiro semestre de 2021 remarcaram as datas, a maioria para este segundo semestre, o que superlotou a agenda. Temos realizado casamentos às sextas-feiras e em até três horários diferentes aos sábados, mas a demanda é grande", comenta. "Como forma de ajudar as pessoas, temos aberto exceções e realizado casamentos até aos domingos, no almoço, e vésperas de feriados", conta o padre, complementando que, no Santuário Nossa Senhora de Fátima, somente há agenda para fevereiro de 2022.
Natividade acrescenta que a alta demanda não se limita apenas a essa igreja. "Estou em frequente contato com outros padres e o que eles contam é que a situação tem sido a mesma em outras paróquias. É uma realidade da Diocese de Bauru", conclui.
MARCA E DESMARCA
Mariana Nunes é uma das pessoas que engrossam esse "boom" de casamentos, que teve início após agosto deste ano, quando houve maior flexibilização das regras sanitárias para conter a Covid-19.
Ela foi pedida em casamento outubro de 2019 e seu sonho era que as uniões civil e religiosa ocorressem no mesmo dia, mas, por não conseguir conciliar as datas e por causa da pandemia, acabou cedendo. "Passei até por sessões de terapia por causa das frustrações que tive. Estava tudo pronto e tivemos que remarcar várias vezes. Foi uma escolha difícil, mas entendi que não daria para conciliar tudo. E, como nosso apartamento já estava todo mobiliado e pronto para morar, aceitei dividir as datas. Meu marido me convenceu de que, assim, a comemoração seria dupla", comenta a jovem.
A data inicial do casamento era 23 de maio de 2020, mas, por causa da pandemia e fechamentos, foi transferida para 17 outubro daquele ano. Na época, contudo, as regras ainda eram muito restritivas e o casal teria que limitar o casamento para 30% de convidados e encerrar a festa até 21h30, o que gerou a desistência. Eles, então, se uniram apenas no civil, em 19 de junho.
A celebração religiosa e a festa foram remarcadas para 6 de novembro. O buffet, contudo, foi alterado por falta de agenda e o casal precisou encontrar um novo local para a esperada celebração.
O vai e vem, inclusive, gerou gastos a mais na ordem de até R$ 10 mil a Mariana e Filipe. "Foi uma luta, mas confesso que estou ansiosa da mesma forma que em 2020. E, agora, a festa terá um sentido especial. Será o reencontro com muitos amigos que não víamos há tempos por causa da pandemia", finaliza a jovem.