Uma área verde equivalente a quatro vezes o tamanho do Parque Vitória Régia, que poderia se transformar no novo cartão-postal de Bauru, permanece esquecida há mais de dez anos pelas administrações municipais. Com implantação prevista no Plano Diretor de 2008, o Parque Jurandyr Bueno Filho, também conhecido como Parque do Castelo, tem projeto arquitetônico pronto e poderia mudar o cenário da cidade na região da av. Nações Norte, com previsão de espaços de lazer, esporte, cultura e entretenimento, mas que nunca saíram do papel.
Alegando ausência de recursos, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) segue sem planos para iniciar as obras no local, que seriam importantes para começar a descentralizar a demanda da população por espaços públicos ao ar livre em Bauru. O Plano Diretor de 13 anos atrás, aliás, prevê a implantação de nove parques lineares em áreas de fundos de vale, como o Parque do Castelo, inclusive para retenção temporária de águas da chuva por meio de barragens ou piscinões.
Trata-se de um tema que ganha maior urgência no momento em que as pessoas começam a retomar suas vidas após mais de um ano e meio de pandemia, em que a busca por lazer em contato com a natureza parece ter aumentado, conforme apontam especialistas ouvidos pelo JC. Esta hipótese é reforçada, aliás, pelo que ocorreu no último feriado de 12 de outubro no Zoológico de Bauru, que lotou e precisou, pela primeira vez na história, fechar seus portões (leia mais na página ao lado).
SEM RECURSOS
Porém, segundo o titular da Semma, Dorival Coral, a implantação de qualquer parque novo na cidade dependerá da captação de recursos, como emendas parlamentares, já que não há disponibilidade de verbas próprias para a execução de projeto desta natureza ao menos até o fim de 2022. "Provavelmente, o Parque do Castelo é o que demandaria maior investimento. Gostaríamos de poder executar todos, mas, infelizmente, por falta de dinheiro, precisamos fazer opções", observa, destacando que o Parque Água do Sobrado, localizado em um fundo de vale na região do Jardim Jussara, seria o mais viável para implantação, mas também condicionada à captação de verbas.
Com uma área de aproximadamente 240 mil metros quadrados recortada pelo Córrego Água do Castelo, o Parque do Castelo, que chegou a ser apelidado de futuro "Ibirapuera de Bauru", possui área quatro vezes maior que a do Parque Vitória Regia, que tem 57 mil metros quadrados. Pelo projeto de implantação, o complexo contemplaria espaço para shows, quadras esportivas, centro de convivência, restaurante, lanchonete, área de exposições e lago ornamental.
Ainda em 2018, o então prefeito Clodoaldo Gazzetta afirmou que a construção do parque custaria em torno de R$ 12 milhões e que o início das obras seria uma das prioridades de seu governo para aquele ano. Porém, até hoje, foram realizadas apenas ações preliminares, como o plantio de mudas no local, que também recebeu pista de caminhada e ciclovia no entorno.
Em 2019, o solo de parte do parque foi alterado para a instalação de uma pista de motocross, destinada à realização da etapa de um campeonato. Hoje, a área é palco de 'pancadões' promovidos aos finais de semana por jovens moradores das imediações.