Mais gente passou a tomar vinho durante a pandemia e, com isso, novas oportunidades de negócio no setor começaram a surgir. Com o intuito de capacitar quem busca empreender no ramo, o administrador de empresas Diego Bertolini, 37 anos, criou em abril de 2020 a Educavinhos, uma plataforma de cursos online. Para isso, ele investiu R$ 3.500.
Ao longo de 12 meses, os alunos têm aulas focadas no mercado de vinhos. Desde o início, já foram formadas 11 turmas - ou 1.300 pessoas. "Cerca de 60% são delas gostam de beber e querem empreender. Quase todo o resto já tem negócios no setor e quer se aprimorar. Mas muita gente chega sem qualquer conhecimento", diz Diego, que é consultor com mestrado em wine business e ex-diretor do Instituto Brasileiro do Vinho.
É o caso do casal Amanda Oliveira, 28 anos, e Luciano Coimbra, 30 anos, moradores de Conselheiro Lafaiete (MG). Ela é professora de biologia e perdeu o emprego na pandemia. Ele comandava a Adega Lafaiete, revenda de cachaças, que perdeu clientes na quarentena.
Mesmo sem entender nada de vinhos, os dois viram uma oportunidade de mudar o foco do negócio e se matricularam no curso em agosto de 2020. "Não havia lojas na cidade e os supermercados vendem sempre os mesmos rótulos", afirma Amanda.
Pouco mais de um ano depois, os 150 rótulos de vinhos já respondem por 80% do faturamento da adega, que vende cerca de 750 garrafas por mês, com preços entre R$ 20 e R$ 150. "Nós dois fazemos as entregas, o que gera um vínculo com a clientela", diz ela.
O atendimento personalizado é também o trunfo de Márcio Renan Barbosa, 32, que fundou a Renavinhos, em Montes Claros (MG), em maio de 2021. Ex-assessor de investimentos, ele trabalhava como motorista de aplicativo quando veio a pandemia.
Como faltam lojas especializadas na cidade, Márcio pensou em abrir um ponto físico, mas mudou de ideia durante o curso da Educavinhos e focou as vendas online. A divulgação é feita pelo Instagram e as entregas por iFood correspondem a 90% dos pedidos. Mas Márcio sentia falta do contato com os clientes e resolveu inovar. "Continuei trabalhando como motorista e passei a usar o carro para fazer propaganda", diz.
"Atendo pessoas que pedem vinhos mais caros, mas também muita gente que prefere rótulos suaves. O mundo dos vinhos é esnobe, cria barreiras que afastam novos clientes, por isso foco esse público."