Tribuna do Leitor

"Farinha pouca, meu pirão primeiro!"

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Cada um puxando a brasa pra sua sardinha, ou na partilha da farinha, entre outros pareceres, todos eles vão seguindo o passo a passo da lei de Gerson (que já primava por levar vantagem em tudo certo?). Essa é, ou sempre foi, a filosofia das nossas vidas, e que começa no nosso "bê-á-bá genético" ou, via de regra, mundo no qual nascemos, e então depois brigamos com essa filosofia, até que cheguemos ao fim.

Por este começo é que se torna tão difícil, quase que impossível, uma sociedade justa, ética e humana no sentido real da palavra. Então, o que vemos e temos é uma competição de mesquinharias, que começa literalmente no útero materno.

Porém, depois do processo de seleção, vamos ganhando condições que nos colocariam acima dos outros seres (animais), que coabitam conosco neste nosso planeta. Mas infelizmente esse nosso intelecto mais evoluído não faz da nossa espécie seres superiores na prática. E, assim, o que vemos são seres cada vezes mais ou menos dotados de inteligência emocional. Seres menos sensíveis ou dotados de sentimentos que deveríamos experimentar o que nos leva a fazer uma prospecção, de uma regressão da "nossa espécie". Essa que acabará por levar nosso sistema a colapsar. Degradação que a maioria, quase todos, finge não ver, finge não sentir, não enxergar com "as mil e umas desculpas". Destas, cada uma que convém a cada singularmente ou a grupos seletos sociais.

E então o homem com sua evolução às avessas, onde se "esquece" por exemplo que o planeta em que vivemos é um organismo vivo, com recursos renováveis outros não renováveis, fato da mínima importância, como temos visto nas mais variadas instâncias que transitamos.

Mas o que podemos ressaltar é que esse nosso egocentrismo não nos levará muito longe, visto que nossa sociedade anda cada vez mais enrolada e enganada, com relação a si e no trato para com o outro. Não tendo dado conta, por exemplo, que não há como ser prospero ou evolutivo quando "comemos toda a farinha", ou quando só nos preocupamos com o "nosso assado". Não nos importando assim que o outro não terá o que comer e se por acaso o tiver, que o coma cru.

Mas teríamos que pensar que podemos sorrir por um período apenas, se noutras moradas estão chorando. E esse tempo de sorrir será curto, mesmo que nos esforcemos, construindo ao nosso redor muros bem altos e seguros.

Pois vivemos, todos nós, sob uma espécie de efeito dominó, e quando da queda de uma peça, não importando a distância que tenha sido de cada um de nós, pois essa ocasionará a nossa também, igual e inexoravelmente, depois a do outro, e a do outro...

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