Política

Boulos acredita em esquerda unida, mas sem hegemonia de um partido

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min
Rafaela Monteiro
Guilherme Boulos esteve no Café com Política, no JC
Guilherme Boulos esteve no Café com Política, no JC

Professor universitário, mais conhecido por sua atuação no Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL) acredita que os partidos de esquerda têm condições de formar o campo progressista necessário para sair como o vencedor nas eleições de 2022, inclusive derrotando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que deve buscar a reeleição, e o governador João Doria (PSDB), em uma possível candidatura do tucano ao Palácio do Planalto. Ao Jornal da Cidade, Boulos afirmou que para isso é preciso haver um movimento de união, mas sem hegemonia em torno de apenas um partido.

Este tem sido o papel desempenhado pelo PSOL, segundo ele. "Temos trabalhado para construir esta unidade em nível nacional e no Estado. Mas, a unidade precisa ser feita como construção conjunta em torno de um campo político. Eu tenho conversado com vários partidos e espero que a gente construa essa unidade até o início do ano que vem. Se não conseguirmos, vamos perder uma oportunidade de ouro de, pela primeira vez, a esquerda ganhar no Estado, e ninguém quer esta desunião", ponderou.

Para isso, defende que é preciso apresentar um projeto de reconstrução para o Brasil e de desenvolvimento econômico, social e ambiental para São Paulo. Na sua opinião, o Estado mais rico do país deixou de ser um lugar de oportunidades e passou a ser marcado pela exclusão e desigualdades sociais, além de passar por um processo de desindustrialização.

FAKE NEWS

Tendo recebido vários ataques de fake news, especialmente, relacionadas à sua atuação como um dos líderes do MTST, Boulos opina que nas eleições de 2022 deve haver uma nova situação que amenize o processo eleitoral, embora acredite que as falsas notícias sejam um processo sem volta. "Foi assim que construíram a ideia de que eu invadia a casa dos outros, mesmo isso nunca tendo sido fato. O movimento social cobra políticas públicas cada vez mais necessárias. Só em São Paulo são 1,200 milhão de família sem moradias, de acordo com dados da Fundação Seade. Mas, as coisas melhoraram e o clima no Brasil não vai ser o mesmo de 2018, não vai ser uma eleição marcada pelo ódio e pelo medo, quando alguém manda uma mentira pelo WhatsApp e todo mundo reproduz e acredita. As próprias redes sociais estão melhorando seus mecanismos. Mas, não existe imunidade contra fakenews. Temos que estar vigilantes às mentiras, não só no processo eleitoral, mas na vida social", avalia.

Hoje, com 39 anos, Guilherme Boulos é professor de Filosofia e psicanalista, atualmente é professor da Pontíficia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, colunista do Folha de São Paulo e da revista Carta Capital.

7 DE SETEMBRO

Sobre as manifestações de 7 de setembro, Boulos acredita que não representaram um avanço no apoio ao presidente Bolsonaro. "Ter centenas de milhares de pessoas nas ruas não é irrelevante, mas se olharmos aquela manifestação ali estavam as pessoas já convertidas, nenhum outro setor da sociedade se agregou às manifestações bolsonaristas, o que demonstrou que ele está cada vez mais isolado politicamente. Nada muda o fato de que a aprovação dele é de 25% e que a maioria da população brasileira quer que ele saia", opinou.

HOSPITAL DAS CLÍNICAS

Boulos criticou o fato de o Hospital das Clínicas ainda não estar funcionando em Bauru, mesmo estando concluído há 10 anos. Em Bauru, além de universitários, também se reuniu com o vereadora Estela Almagro (PT), com professores e militantes de partidos da esquerda. "Estamos ouvindo todos os setores, queremos construir um projeto a muitas mãos, de baixo para cima, este é o objetivo principal, conhecer o Estado e suas necessidades. Mas, também organizar os ativistas do campo progressista, organizar a militância e dialogar com os partidos, isso tem marcado nosso giro pelo Estado", concluiu.

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