Guayaquil - Espremido entre os dois maiores produtores de cocaína do mundo - Colômbia e Peru -, era uma questão de tempo até o narcotráfico começar a fazer estrago no Equador. Desde os anos 70, o Porto de Guayaquil é ponto de saída de drogas, mas agora as autoridades têm de lidar com a infiltração dos dois maiores cartéis mexicanos, que adotaram gangues locais para reproduzir no país a guerra que travam no México.
De um lado está Los Choneros, maior e mais violenta facção do Equador, sócia do cartel de Sinaloa. Do outro, o rival Los Lagartos, que reúne pequenas gangues vinculada ao cartel Jalisco Nueva Generación. A onda de violência levou o presidente Guillermo Lasso a decretar estado de emergência, na segunda-feira.
No dia 28 de setembro, um confronto entre Choneros e Lagartos em uma prisão de Guayaquil terminou com 118 detentos mortos. A
O sistema carcerário do Equador está à beira do colapso. A penitenciária de Guayaquil, local da rebelião de setembro, tem capacidade para 5 mil pessoas, mas se apertam 9 mil detentos. A ocupação das cadeias chega a 140%, segundo dados oficiais - o que ainda é pouco quando comparado com outros países da região, como El Salvador (330%) e Brasil (320%). Mas o problema extrapola as celas.
Do lado de fora dos presídios, a disputa envolve a rota da cocaína que sai da Colômbia para EUA e Europa.
VISITA
Preocupado, o governo dos Estados Unidos despachou para Quito o seu secretário de Estado, Anthony Blinken, apesar de dizer que a visita de Blinken já estava anunciada pelo menos desde o dia 15 de outubro passado.