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Com alta do combustível, postos têm até 30 casos de pane seca por dia

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Com os combustíveis mais caros, têm sido cada vez mais comuns os casos de pane seca, que é quando o veículo para por causa do tanque vazio. Alguns postos de Bauru chegam a atender até 30 motoristas por dia com galões na mão. Entre os relatos está, principalmente, a dificuldade em abastecer o veículo com a frequência de antigamente.

"Atendemos gente todo dia. Aumentou muito desde o começo do ano. Quase sempre é porque o carro ficou parado. Por dia, chega a ter umas 30 pessoas", relata Estevam Thiago, frentista de um posto na Avenida Moussa Tobias, na Zona Norte, um dos principais acessos a bairros como Vila São Paulo, Pousada da Esperança e Jardim Ivone. "O pessoal abastece com R$ 20,00 ou R$ 30,00, mas não dá para nada. Anda um pouco, não percebe e fica na mão", complementa.

APOSTA 

O motoboy Alexander Silva, de 20 anos, levava a esposa grávida para uma consulta médica, quando o carro, sem combustível, ficou parado na mesma avenida. "Voltei para casa ontem à noite com o tanque na reserva, quase vazio, achei que dava para chegar ao posto hoje antes de ir ao médico, mas não deu", explica o jovem, voltando para o carro com cinco litros de álcool no galão. Apesar do contratempo, eles não perderam a consulta. "Está muito difícil. Antes até enchia o tanque do carro, agora não dá mais não", reclama. No posto em que ele estava, a gasolina custa R$ 5,95 e o álcool R$ 4,55.

Na Avenida Getúlio Vargas, frentistas vivenciam situações parecidas. "Todo dia a gente vende, pelo menos, um galão para uma pessoa sem combustível. A pessoa abastece de pouquinho, acha que vai dar, fica andando na sorte", conta o frentista Alexandre Cardoso Campos. "A pessoa pede para colocar R$ 30,00, mas o ponteiro nem mexe. Tem cliente que pergunta se a gente realmente colocou combustível", relata o colega de trabalho Luiz Gustavo dos Santos, também frentista.

A autônoma Adriana de Oliveira desembolsou R$ 16,00 para comprar o galão e outros R$ 30,00 para enchê-lo com gasolina, ao custo de R$ 6,00 o litro. Ela ia para o Centro quando o carro dela ficou parado na Getúlio Vargas. "Foi a primeira vez (pane seca). Hoje em dia só coloco meio tanque, não está dando mais para encher", afirma.

Na Avenida Nuno de Assis, o frentista Diógenes Bueno também atende clientes vítimas de pane seca. "Tinha mais no começo do ano. Mas ainda aparece com frequência", confirma. "Acho que o pessoal tem controlado mais. Em vez de encher o tanque, gasta um pouco no mercado, um pouco no posto, e vai levando", complementa. 

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