Não é a roupa, o histórico, a linhagem, as páginas preenchidas do passaporte ou os títulos adquiridos, é o sentimento exótico, esquisito e indefinido que nasce na alma e exala pelos olhos. É isto o que nos faz querer uns e fugir de outros. Nem mesmo as máscaras usadas neste tempo de pandemia são capazes de esconder o brilho nos olhos, a vergonha ao tropeçar nas palavras, ou aquela sensação de formigamento entre o peito e o estômago.
Almas que já se cruzaram por aí sempre irão se reconhecer, queiram acreditar ou não. Pessoas mentem, fotos enganam, mas a danada da energia sempre será fiel e descarada. Até quem te encontra na fila do pão sabe que você está diferente, essa sensação de sede que não passa chegou para te lembrar que ainda há vida, e que os olhos certos sempre irão ver você. Por mais que você esteja mergulhado em uma treva sebosa e pesada, aqueles olhos sempre notarão sua presença. No começo vai parecer loucura, será que você continua vendo coisas onde não existem? Será que criou uma ilusão para que o peso da rotina seja menor? Os sinais te mostrarão que não! E por mais difícil que seja, confie no que está vibrando e sentindo. Há encontros que não foram feitos para permanecer, há abraços que jamais serão concretizados, mas esse chacoalhão do Universo precisava acontecer para você se lembrar de que está vivo!
O sentimento que parece coisa da carne, reflete uma lembrança da alma! Encontros energéticos nunca são em vão! Aproveite a vibe, sinta a brisa e agradeça. Alguém em outra dimensão queria que você lembrasse das possibilidades infinitas e das coisas gostosas podem surgir de onde menos esperamos.
A autora é colaboradora de Opinião.