Economia & Negócios

Nível de emprego é o melhor em três anos e comércio repõe vagas perdidas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru registrou 4.493 novas vagas de emprego com carteira assinada no período de janeiro a setembro deste ano, o que corresponde ao melhor resultado para o período nos últimos três anos. E boa parte deste desempenho deve-se ao comércio, que, depois de muitos meses amargando números negativos devido aos impactos econômicos provocados pela pandemia da Covid-19, voltou a contratar mais do que demitir trabalhadores.

Segundo dados do Caged, divulgado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, os 4.493 empregos formais somados por todos os setores da economia da cidade nos primeiros nove meses do ano foram superiores aos resultados alcançados no mesmo período em 2020 e até em 2019, ainda antes da pandemia. O desempenho do mercado de trabalho só havia sido melhor em 2018, quando foram geradas 4.672 vagas de janeiro a setembro.

O principal responsável por este saldo foi o setor de serviços, que criou 3.050 postos no período. Na sequência, aparecem o comércio, com 838 vagas, e a indústria, com 541 novos postos de trabalho gerados.

A posição de destaque do comércio chama atenção porque o segmento foi o que mais demorou a recuperar o nível de emprego, após as restrições impostas às atividades econômicas com o objetivo de conter a propagação do novo coronavírus. Para se ter ideia, de janeiro a setembro do ano passado, o comércio havia fechado 1.119 vagas de trabalho, o pior saldo entre todos os setores até aquele momento.

Com alguma melhora nos índices até o fim de 2020, ainda fechou aquele ano com 93 postos extintos. Já em 2021, o segmento acumulou perda de 312 empregos até abril, sendo o único com saldo negativo nos quatro primeiros meses do ano. Foi somente a partir de maio que passou a registrar saldos mensais positivos, com recuperação das vagas fechadas e criação de outras 838 até setembro.

RETOMADA

Segundo Elion Pontechelle Junior, consultor jurídico Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), os dados do Caged corroboram a retomada que já era sentida pelos comerciantes. Ele explica que as vendas voltaram a crescer a partir do Dia das Mães, em maio, o que estimulou uma boa parcela das contratações.

Porém, com o avanço do processo de vacinação e a consequente queda do número de casos e mortes por Covid-19, a confiança dos empresários aumentou. "Hoje, o comerciante não tem mais a insegurança de as lojas serem obrigadas a fechar ou funcionar com restrição de horário novamente. Todo mundo acredita que isso não vai mais acontecer, então, o clima é de muito otimismo", frisa.

Diante desta realidade, a expectativa é de que, a partir de 10 de novembro, o setor comece a efetuar novas contratações já para as vendas do fim de ano. De acordo com Pontechelle Junior, mesmo em um cenário econômico adverso, com custo de vida elevado corroendo a renda do bauruense, o resultado das vendas para o Natal deverá ser melhor até mesmo do que o de 2019. "Mesmo com o aumento do preço dos combustíveis, dos alimentos, da energia, ainda existe uma demanda reprimida, de consumidores que ficaram muito tempo sem fazer compras durante a pandemia e que agora estão indo às lojas. As perspectivas são as melhores possíveis".

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