"O empreendedorismo é a rampa de acesso para tirar as pessoas da pobreza." A afirmação é da deputada federal Adriana Ventura (Novo) e considera o atual contexto de crise econômica e redução do poder aquisitivo da população. Em Bauru pela primeira vez no dia 22 de outubro, a parlamentar, que é formada em administração pública, conversou com entidades e com autoridades da cidade sobre ações que ajudariam a garantir o desenvolvimento e gerar mais oportunidades profissionais aos adolescentes, jovens e adultos.
Professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Adriana também é empreendedora cultural social, além de deputada.
Diante do atual contexto de crise econômica e da redução do poder aquisitivo, que afetou especialmente famílias com baixa renda, ela defende maior atuação do poder público para estímulo ao empreendedorismo de subsistência.
"Falo da dona de casa que abre a porta da sua sala para a comunidade, porque sabe fazer uma escova de cabelo ou pintar. O empreendedorismo não é só abrir uma empresa, mas sair para ação e mudar algo" cita. "Permitir que essas pessoas possam sobreviver do seu trabalho sem tanta burocracia é essencial. É preciso facilitar trâmites de abertura de funcionamento para que as pessoas possam sobreviver e serem inseridas no mercado de trabalho", acrescenta a deputada.
SIMPLIFICAR
Durante a pandemia, muitas empresas quebraram, mas outras surgiram e, segundo ela, há um movimento pujante no Interior nesse sentido, mas que não entra para estatísticas dada a falta de formalização dos empreendedores.
"Em feiras livres eu via pessoas morrendo de medo de alguma fiscalização aparecer, porque estavam prestando um serviço, consertando uma panela, vendendo os quadros que pintam em casa. Eu fico chocada com isso. Temos que permitir que elas possam sair da pobreza subindo a rampa de acesso do empreender. É preciso simplificar. Temos o Sebrae, mas as próprias prefeituras poderiam dar mais suporte e mais apoio a esses tipos de empreendedores, mais simples, no início", comenta a deputada.
"Às vezes, as pessoas não sabem que pagando apenas 50 reais por mês conseguiriam abrir um MEI [microempreendedor individual]. São informações que precisam ser mais difundidas. Hoje, todo mundo tem um celular, e boa parte de muitos empreendedores usam o Instagram para vender. As ferramentas são simples e baratas, o que precisamos é dar mais atenção à população de baixa renda", finaliza a deputada.