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Pagamento por Pix em Bauru já equivale a metade de todo o PIB

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O volume de pagamentos pelo Pix totalizou R$ 7,086 bilhões em Bauru desde que a modalidade foi criada, em novembro de 2020, até setembro deste ano, segundo levantamento elaborado pelo Banco Central a pedido do JC. A quantia equivale a quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) do município, de R$ 14,642 bilhões, registrado em 2018, o valor mais atual divulgado até o momento pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, em 2020, o PIB - que representa a soma do valor de todos os bens e serviços finais produzidos em determinado período pelos setores da economia - também deverá ficar na casa de R$ 14 bilhões. E o fato de as movimentações financeiras feitas via Pix representarem metade deste montante denota o quanto a modalidade caiu no gosto do brasileiro.

Entre as vantagens que este tipo de transação apresenta, está a ausência de taxa para enviar ou receber dinheiro, além da quantia ser creditada de forma imediata, diferentemente do que ocorre com algumas transações bancárias. "É um instrumento que facilitou as transações econômicas, substituindo a manipulação de dinheiro, inclusive de troco, além de livrarem prestadores de serviços de usar a maquininha de cartão, que tem custo, para conseguir receber pagamentos", analisa Cafeo.

De acordo com ele, a novidade favoreceu especialmente comerciantes que atuam no mercado informal ou que são microempreendedores individuais (MEIs), incluindo, neste grupo, eletricistas, domésticas e pedreiros, que atendem em domicílio, e aqueles que vendem produtos como pães, doces e peças de vestuário de porta em porta e não possuem estabelecimento físico para receber dinheiro no caixa.

"Hoje, a pessoa consegue pagar com Pix até boleto que tem QR Code. Então, diante destas vantagens, este meio eletrônico, que tem a mesma função do dinheiro físico, caiu na preferência do consumidor", observa. Ainda de acordo com o economista, esta nova forma de fazer e receber pagamentos veio para ficar, já tendo se consolidado especialmente entre as gerações mais novas, mais familiarizadas com as relações digitais.

TENDÊNCIA

E, assim como ocorreu com o cheque, que perdeu espaço e ficou restrito especialmente às movimentações feitas por empresas como forma de escapar da tarifa do cartão de crédito, a tendência é de que as transações com dinheiro de papel também percam força ao longo dos próximos anos. Cafeo destaca, aliás, que o volume de cédulas impressas pela Casa da Moeda já registra histórico de decréscimo.

A popularização do Pix, contudo, já tem um aspecto negativo, visto que este sistema de pagamento se tornou alvo de criminosos especialistas em aplicar golpes. Na tentativa de minimizar as fraudes, o Banco Central começou a implementar medidas de segurança, como a que entrou em vigor no último dia 4, estabelecendo o limite de R$ 1 mil para transações noturnas entre pessoas físicas.

Já em 16 de novembro, entram em vigência outras mudanças, incluindo a autorização para que as instituições financeiras façam o bloqueio do recebimento de transferências via Pix a pessoas físicas por até 72 horas, caso haja suspeita de que a conta beneficiada está sendo usada para fraudes. Em nota, o Banco Central informou que as medidas criam incentivos para que os participantes do Pix aprimorem cada vez mais seus mecanismos de segurança.

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