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Conservador, progressista ou terceira via?

Arthur Machado
| Tempo de leitura: 3 min

Nunca se falou tanto em teoria política no Brasil e nunca se entendeu tão pouco sobre o que estamos falando. Pensamentos filosófico-políticos são considerados equivalentes a ideologias e colocados na mesma mesa, como se nos referíssemos a gêneros, que só se diferenciam nas espécies, e cuja essência só se altera na forma com que lidamos com os aspectos práticos da vida em sociedade. Em cada sistema filosófico-político ou ideologia, existem princípios fundantes que fazem toda a diferença na escolha de que tipo de país ou sociedade queremos viver.

Para o progressista (e suas corruptelas como o positivismo, o marxismo, o desenvolvimentismo, e, até mesmo algumas vertentes do liberalismo), o progresso é uma premissa metafísica inquestionável. Ou seja, a existência disfruta de um impulso inevitável para a perfeição. Assim, o homem e a sociedade caminham para um estado de perfeição rompendo sempre com o passado e com todo o saber produzido, pois o que virá sempre será melhor.

Esse status é atingido através de processos sociais e econômicos - e não pelo homem, que se aprimora, ou por um processo da ordem do indivíduo, em complexos e inevitáveis ciclos de mudanças sociais -, sendo o ser humano apenas a engrenagem que, por seu intermédio, o processo se perpetua, liderado por uma elite burocrática, um grupo de demiurgos mais iluminados e esclarecidos que empurrarão a história para o seu inevitável fim, a perfeição social e humana. É isso que põe Marx e Hegel de mãos dadas! A incontrolável marcha do homem para a felicidade, sendo que, para Marx, a luta de classes e para Hegel por meio da política.

O conservadorismo não é uma ideologia, mas um princípio, uma mentalidade filosófica e política. Não representa um corpo dogmático fixo, não pretende forçar um modo de vida rígido, é formado por convicções que se ajustam ao tempo, crê em uma ordem transcendente de uma moral e realidade objetivas, entende a diversidade e o mistério humano, tem a convicção de que a sociedade requer uma estrutura e limites definidos de convivência.

O conservador observa o fundamento da ordem social civil, o costume, a convenção e a constituição como fontes de uma ordem civil tolerável e que servem de freio tanto para o impulso anárquico do homem como para o avanço desmedido do Estado. Desconfia da natureza humana, das instituições e da manipulação das massas. O conservador não é avesso às mudanças, mas não as recebe de forma impensada, sem observar as consequências imediatas de cada uma de suas ações. É o que se define por "você não me enche a paciência, que eu não te encho a paciência".

E a terceira via? É um vazio político, não tem visão de mundo ou sociedade, significa apenas um grupo tentando capturar as instituições do Estado para criar políticas que beneficiem aos seus. Sem identidade, sem significado dogmático ou político, uma gambiarra que tenta dizer tirar o melhor de cada um, mas produz o pior de todos. É uma espécie de pato político - diz nadar, voar e correr -, mas não faz nada direito.

Por isso, quando falamos em formar uma nação, falamos de um projeto, não de poder, mas de vida. Não podemos aderir a ideias e conceitos que busquem padronizar e tolher o pensamento, ao mesmo tempo em que fingem libertá-lo. Não é razoável crer que precisemos de uma elite burocrática, que saiba o que é melhor para mim ou para minha família. Não é razoável querer padronizar a sociedade e forçar a adequação de valores pessoais para empurrar a história em direção a um fim no qual eu seja uma mera engrenagem a caminho de uma perfeição que só se encontra na mente daqueles "iluminados" que guiam a sociedade.

É por isso que ser conservador não é uma opção, mas uma necessidade, em um mundo a caminho do suicídio.

O autor é professor e empresário na área da educação, fundador da Associação Semeadora.

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