Economia & Negócios

Consumidor corta cafezinho e pão

FolhaPress
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São Paulo - Com a alta da inflação - especialmente dos alimentos -, além das despesas com aumentos de luz e combustível, qualquer forma de economizar é válida. Até o tradicional pingado com pão na chapa na padaria, um hábito do paulistano, já entrou na lista de cortes do consumidor.

Fã do café coado com leite e pão na chapa, a artesã Leticia Stripeikis, 56 anos, da Vila Carrão (zona leste), vai na padaria duas vezes na semana para tomar café. "Mas sei que, atualmente, é um luxo poder fazer isso", diz ela, que repara na alta de preços. "Antes da pandemia, eu ia pelo menos quatro vezes por semana, inclusive no período da tarde para lanchar. Agora vou só para o café da manhã."

"Praticamente, ia todos os dias para tomar um café, hoje são três vezes na semana. Há pouco tempo, o pingado e o pão na chapa custavam cerca de R$ 5, e já está em R$ 10", conta o empresário Marcelo Asensio, 48, do Tatuapé (zona leste).

INFLAÇÃO

Segundo o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a prévia da inflação em outubro foi de 1,20%, a maior para o mês desde 1995.

No caso da alta do café e da farinha de trigo, matéria-prima do pão, o dólar e o clima pesaram. "As commodities estão valorizadas no mercado internacional e, no café, para agravar, tivemos problemas na produção desde o ano passado. A questão hídrica afetou Paraná e Minas Gerais, que são os principais produtores de café", explica o pesquisador de café do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

"Os estoques mundiais de trigo estão com sinal de redução e o Brasil é grande importador de trigo", diz o pesquisador responsável do Cepea, Lucilio Alves.

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