Cultura

Os novos desafios de Cauã Reymond


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Não são muitos os artistas que tiveram o desafio de viver dois papéis em uma mesma trama. Muito menos gêmeos, idênticos e com personalidades completamente diferentes. Mas Cauã Reymond, 41 anos, está recebendo esse "presente" pela segunda vez na novela "Um Lugar ao Sol", que estreia na próxima segunda-feira (8) na Globo.

A trama tem a assinatura de Lícia Manzo, responsável por sucessos como "A Vida da Gente" (2011-2012) e "Sete Vidas" (2015), e chega envolta a muitas expectativas. Ela será a primeira novela totalmente inédita na faixa das 21h da emissora desde o início da pandemia, também é a estreia da autora no horário e começa já toda gravada.

O ator é o protagonista dessa trama. Ele, que já tinha representado os gêmeos Omar e Yaqub na minissérie "Dois Irmãos" (Globo, 2017), agora dará vida a Christian e Renato, também gêmeos. Separados ainda bebês, eles seguirão caminhos muito diferentes sem saberem um do outro, até se reencontrarem já adultos.

Renato, que foi adotado quando pequeno, cresce no Rio em uma família rica e com oportunidades que não dá valor, enquanto Christian cresce em um abrigo de Goiânia e ao completar 18 anos tem que se virar sozinho, trabalhando e estudando para realizar o sonho de cursar uma faculdade.

Reymond afirma que conversou bastante com gêmeos e contou com a ajuda de uma coach para fazer os personagens, mas destaca que teve a seu "favor o texto da Lícia, que apontava caminhos muito sólidos para os dois irmãos". "Além disso, comecei a preparação muito tempo antes, comecei a ensaiar com três meses de antecedência."

E olha que não faltaram percalços no caminho de "Um Lugar ao Sol". Escrito em 2018, o folhetim começou a ser gravado em 2019, com cenas no Exterior, mas acabou paralisado duas vezes por causa da pandemia. Teve protocolos e mais protocolos de segurança, que foram se alterando ao longo das gravações.

"Esse é sem dúvida o trabalho mais difícil que já tive em complexidade", afirma o ator. "O Maurício [Farias, o diretor] e a Lícia me prepararam com reportagens, filmes, a gente fez leituras. Era meu desejo entregar um trabalho assim depois de tanto tempo longe das novelas, foram quase seis anos."

Além de toda a preparação, Reymond teve uma ajuda extra nas cenas em que os gêmeos aparecem juntos. Isso porque seu irmão na vida real, Pável Reymond, 34, foi seu dublê. "Foi muito especial", afirma Cauã, que diz ter encontrado segurança no olhar do irmão nas gravações mais difíceis.

"Minha mãe morreu há um ano e meio, e uma coisa que ela falou no leito de morte foi para que a gente continuasse unido para sempre. De alguma forma, 'Um Lugar ao Sol' nos trouxe esse lugar sincero", revelou o ator em conversa com a imprensa realizada na última quinta-feira (28).

"Ele era a pessoa que dava a referência a Cauã", afirma o diretor Maurício Farias, que acabou dando um personagem a Pável, que aparecerá em alguns capítulos. "Ele tinha alguma experiência amadora, mas foi incrível. A gente colocou ele em uma verdadeira roubada, entrou em num lugar de trabalho com muita pressão."

Mas "Um Lugar ao Sol" não é sobre dois irmãos separados ainda pequenos, nem sobre o reencontro deles. Renato, na verdade, morre logo após conhecer Christian, ao subir o morro para pagar uma dívida do irmão. Esse então decide agarrar a oportunidade de conquista um lugar ao sol assumindo a identidade de Renato.

Para Manzo, Cauã Reymond acaba interpretando três personagens na novela: Renato, Christian e Chistian se passando por Renato. "Eu vi os 30 primeiros capítulos e você vê ali um menino desvalido dentro daquele terno, aquela pose poderosa, mas com o olhar perdido, de menino desvalido. É um terceiro personagem", afirma a autora.

E quem espera um vilão nessa terceira persona pode se decepcionar. Manzo diz que seus gêmeos são diferentes dos de outras novelas, como Ruth e Raquel, de "Mulheres de Areia" (Globo, 1993). Para ela, a história "é sobre uma pessoa obstinada pela vida que não teve. "A ideia não era vilanizar, ele não mata o irmão, ele não conspira", diz.

"Uma coisa que aprendemos cedo é não julgar o personagem que vai fazer. Esses dois irmãos me geram muita reflexão, tinha momentos que me deixavam perplexo e outros em que eu tinha muita compaixão. Eles nos fazem pensar sobre o que você faria para ter uma vida digna, até onde se corromperia", completa Reymond.

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