Tribuna do Leitor

Partido dos Trabalhadores

Rogério Medina
| Tempo de leitura: 3 min

Vejo com tristeza a confusão que armaram no seio do PT, tempos atrás, com seus ex-dirigentes tentando, e não conseguindo, explicar questões elementares da administração do partido, constando que o estrago promovido na esquerda brasileira de um modo geral e irreparável. Tudo aquilo que a polícia política de Getúlio Vargas e da ditadura militar não conseguiram, mesmo utilizando-se de método medievais de convencimentos, a "dupla" de Zés conseguiu, desmoralizando a esquerda, e seus dirigentes militantes. Conseguiram arrastar para o lamaçal centenárias bandeiras de lutas do proletariado brasileiro que jamais deixaram de tremular enquanto empunhadas por camaradas, dignos e despojados da necessidade de se transformar em novos alpinista sócia.

Sob o comando da dupla de "Zés", tudo mudou!

Conquistas populares que custaram a vida de muitos patriotas começaram a serem revistas sob o ponto de vista da república petista de governar. Um dos "Zés" chegou a escrever e divulgar documentos onde renegava seu passado de marxista. O outro, enquanto ainda no poder, chegou a contratar renomado escritor para relembrar seu passado de lutas contra a tirania. Era a busca desenfreada de um plano de marketing pessoal em busca sedenta por mais poder.

É... Mas o barraco caiu!

Para alguns companheiros e militantes históricos dos movimentos populares, este era previsível. Afinal, nos bastidores da esquerda sempre foi dito que a dupla de "Zés" durante o regime militar havia sido de time dos três tapas.

E tenho a certeza que quando a cueca apertou, por excesso de volume verde, a história se repetiu. Muitos tapas tornaram necessários para a dupla parar de falar.

E como recordar é viver. Muito embora muitos não gostem de recordar o passado, não custa relembrar o escândalo que os militantes fizeram quando descobriram um casaco de pele na casa ocupada por Luis Carlos Prestes, como se esta peça do vestuário fosse à prova de corrupção. Esquecendo-se que o legendário "cavaleiro da esperança" havia residido por muitos anos na URSS, onde essa roupa era acessível à população em virtude do frio.

Hoje é tudo diferente!

Carros importados, fazendas, contas no exterior surgem nas mãos de quem nunca lutou para fazer história e que aproveitaram o espaço vago na carruagem do poder para participarem em busca de benesses pessoais.

E quem acreditava na dupla de "Zés"?

Como Luis Fernando Veríssimo matou a "velhinha de Taubaté", surge na defesa intransigente das maracutaias um velho amigo, de ora em diante chamado de "Velhinho do Clavinote", que ao avançar da idade começa a crer que o governante estava certo e seus integrantes incansavelmente perseguidos pelas elites.

De minha parte, creio que a dupla corria o serio risco de se transformar em trio. Tinha "Zé" no poder que estava sendo visivelmente solapado por auxiliares diretos e na hora que acordaram, estavam fazendo parceria com tão falados "Zés" do plantão. Talvez sem merecer estivesse na boca do povo, com seu nome arduamente virando sinônimo de Maluf. Digo ao amigo que resolvemos experimentar, tempo atrás, o jeito petista de governar e estamos com saudades do salamargo.

O velhinho do Clavinote fica bravo e esperneia. Segundo ele, estou errado. Paciência!

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