Ouvindo o Podcast JC com o título acima (primeira vez que tenho contato com isso, achei legal) e pude prestar atenção e fazer umas considerações. Primeiro, parabéns à jornalista Marcia Duran pelo conhecimento que tem sobre os problemas da causa animal em Bauru, sei que ela é nossa São Francisco de saias, que vemos nas postagens de rede social tentando ajudar. Deve ser por isso que tem tanta propriedade em falar sobre o que acontece neste setor.
O Castramóvel nos foi prometido pela atual prefeita em reuniões com ongs e protetores para no máximo em 4 meses estar ativo novamente, algo que já sabemos foi somente para calar os comentários, pois não há previsão de quando voltará e se tem, já ultrapassou este tempo há muito. Sobre as castrações, faltou dizer que existem projetos em Bauru vindo castrando muito mais que o CCZ: Formiguinhas Valentes, Eco Patinhas, CastraAmor, dentre outros, inclusive de protetores que, com doações do povo, estão fazendo o que é por lei obrigação do poder público. E olha como são as coisas: R$ 500 mil para o carnaval e nós vivendo de doações para poder salvar vidas. Nada contra o carnaval, ao contrário, a luta deles foi digna, cada um sabe aonde o calo aperta, e verba que vem pra um destino tem que ser pra aquilo que se propôs, mas a comparação se deve porque para causa animal sempre vem migalhas. Nós, ongs e protetores, estamos endividados com veterinários, temos que implorar por ração, e nada está sendo feito neste sentido pela atual gestão, nem os vereadores. A jornalista, no Podcast, frisou muito bem isso, se nós não estivéssemos fazendo, estaria pior, já que somente nós estamos nos movendo, e quando vejo alguém reclamando que os gatos estão invadindo o quarteirão, logo pergunto: e o que você faz para mudar isso? Cobrando da atual gestão? Contribuindo com os protetores? Porque se você não faz parte da solução, faz parte do problema. Tem animais morrendo de fome nas ruas e quintais, não reclame, contribua, e cobre prestação de contas da sua ajuda.
Daria aqui até algumas dicas: se estão recolhendo cestas básicas para famílias carentes, por que não arrecadar ração para os animais destas famílias? Como disse a repórter, muitos dão da própria comida aos seus animais. Contrariando o que disse a reportagem, sim, nós temos campanhas de conscientização sobre o abandono, vacinas, posse responsável, não paramos por conta da pandemia, ao contrário, intensificamos, mas sempre foram pelas redes sociais, já que não temos ajuda de empresas com material gráfico, nem da imprensa com divulgação gratuita, são poucos que nos ajudam nesta batalha, já tentamos por inúmeras vezes... e desistimos.
Como disse a Marcia, vivemos de venda de guloseimas, rifas, bazares, só não pedimos dinheiro na rua, já há muita gente fazendo isso, infelizmente, nas esquinas desta cidade. Mas as vendas caíram. Se antes adotavam por conta da pandemia, agora que a vida está voltando, estão abandonando, isso revolta. Serviam na solidão, mas agora não servem mais, atrapalham. Pra resumir: não temos ajuda nenhuma do poder público, nada. Nos usam para meios políticos e depois somem, animais abandonados são problema de saúde humana também, e não temos visto solução a curto prazo. Então, comecem a cobrar da prefeitura e seus órgãos ajuda, porque estamos sobrecarregados, chorando baixinho pra não passar pra vocês o terror que estamos passando.
O autora é colaboradora de Opinião.