Bauru vivencia um período de preocupação na odontologia da rede municipal. O problema tem se agravado desde o início do ano, com o baixo número de profissionais, a má preservação de consultórios e a inexistente manutenção das ferramentas indispensáveis para os atendimentos. A denúncia é do Conselho Municipal de Saúde.
Paralisada em 2020, durante a pandemia, e sem dentistas suficientes nesta fase de retomada do serviço público, a odontologia da rede municipal tem uma fila de espera de mais de 4.900 pessoas e a maioria dos compressores bucais para a sucção, item indispensável, está quebrada e nenhuma empresa está fazendo as manutenções desde que a antiga responsável deixou de fazer o serviço, há cerca de seis meses, afirmam conselheiros.
De acordo com Graziela de Almeida Prado e Piccino Marafiotti, dentista e também coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, a odontologia, no início da pandemia, suspendeu os agendamentos, atendimentos eletivos, por recomendação do Ministério da Saúde. Por tratar-se de uma profissão de alto risco e, por essa razão, a opção foi de atenderem somente às urgências e emergências.
Em Bauru, a equipe de saúde bucal contribuiu com as atividades voltadas para o combate à Covid, ficaram nas salas de vacinas, salas de testagem, bem como executavam atividades de educação em saúde e vigilância para a doença. "Infelizmente, nestes dois anos a demanda ficou, sim, reprimida, porém, a equipe voltou à assistência e estão atendendo com bastante critério em relação à biossegurança e cuidados para com a equipe e os pacientes. Na última reunião do conselho, solicitamos ao secretário (Orlando Costa Dias) a contratação de quatro profissionais com urgência, um deles para ocupar uma vaga na rede de urgência e emergência e três para a atenção básica. Essas vagas são de profissionais que aposentaram (3) e uma exoneração, portanto, são vagas que não estão impedidas de contratação", comenta.
Ainda segundo ela, o conselho entende que um número ideal de contratação para cobrir essas horas e cadeiras vagas seria de aproximadamente 15 profissionais.
"CRÔNICO"
Segundo uma das integrantes do conselho, Rose Lopes, o problema é crônico e é lamentável. Para ela, de nada adianta a Secretaria de Saúde ampliar os consultórios sem ter profissionais suficientes para atender. "Há um cadastro com mais de 4.900 pessoas em espera. E não tem como inserir novos porque é preciso, antes, zerar essa fila de quase 5 mil. E o atendimento odontológico é algo moroso. Não é só ir lá uma vez. São várias sessões para tratar os dentes. Atualmente, estão sendo feitos apenas os atendimentos de urgência nas UPAs. A situação da odontologia da rede é uma briga antiga do Conselho com a Secretaria de Saúde e a demanda se agravou ainda na pandemia.
"SEM MANUTENÇÃO"
Ricardo Alexandre Pereira, que além de membro do conselho é presidente da associação dos moradores do Pousada da Esperança, acrescenta que a situação da odontologia da rede é mais complicada do que parece. "É ridícula", critica.
Segundo ele, a maioria dos compressores de sucção da rede estão quebrados há meses e, para agravar a situação, a empresa que fazia a manutenção dos aparelhos odontológicos desistiu do serviço. "Está parada uma licitação no Jurídico da prefeitura há mais de seis meses. É um empurra-empurra. A população nos procura reclamando o tempo todo. Eles querem resultados. Na Saúde nos informaram que não há previsão para resolver os problemas. Bauru tem, sim, recursos para isso. A pasta da Saúde tem uma receita milionária", reclama Ricardo Pereira.
TIBIRIÇÁ
Segundo o vereador o Beto Móveis (cidadania), há a necessidade urgente de uma reforma no espaço para atendimento odontológico no Núcleo de Saúde Doutor Dolírio Sandim, no Distrito de Tibiriçá. Atualmente, o local não apresenta condições para receber profissionais de odontologia e pacientes.
RESPOSTAS
Segundo a Secretaria de Saúde, são 58 dentistas contratados pela Prefeitura e 12 dentistas da Unidade de Saúde da Família (Sorri-Bauru), totalizando 70. "A rede comporta mais 16 dentistas, de tal forma que se ocupe de maneira integral as cadeiras odontológicas já existentes e também aquelas que estão sendo adequadas para uso", diz nota enviada pela Prefeitura Municipal.
Ainda de acordo com a secretaria, passam por obras ou já tiveram reformas de adequação dos consultórios odontológicos as USF Vila Dutra, UBS Independência, UBS Jussara Celina, UBS Chapadão Mendonça, USF Santa Edwirges, UBS Mary Dota, e UBS Nova Esperança. A gestão da Saúde acrescenta que existe concurso em vigência. "Houve aumento da demanda devido à pandemia que suspendeu por meses os atendimentos eletivos na área da Odontologia. Será necessário um tempo para que se consiga o retorno da normalidade nas consultas com dentistas. Está sendo feita a reposição de um profissional dentista ainda nesta semana e duas outras reposições estão em análise orçamentária", acrescenta a nota.
NÃO RENOVOU
Com relação aos equipamentos quebrados e falta de manutenção, a Secretaria de Saúde relata que venceu o contrato de manutenção de cerca de 50 consultórios odontológicos e a empresa responsável pelo serviço não quis renovar. A Secretaria abriu licitação para contratar uma nova empresa. Enquanto isso, os consultórios da Vila São Paulo, UPA Mary Dota e duas unidades do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) estão parados, além dos consultórios da USF Nove de Julho e USF Santa Edwirges funcionando precariamente.